Arquivo

Arquivo de outubro, 2008

Sem teto

31, outubro, 2008

Comentário Rádio Santamariense, 7h20

54,6 milhões de brasileiros têm problemas de moradia. Isso representa 34,5% da população urbana. Desse total, 30,1 milhões convivem com esgoto inadequado; 13,7 milhões não têm acesso à água tratada; 12,3 milhões enfrentam o adensamento, quando moram mais pessoas do que a casa comporta e 7,3 milhões moram em assentamentos irregulares. Outros 7 milhões de brasileiros vivem em favelas.

A passos muito lentos, programas públicos enfrentam o problema. Devemos considerar ainda o ônus excessivo com aluguel. Mais de cinco milhões de brasileiros gastam 30% ou mais da renda com essa despesa. A estimativa consta num estudo do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) que apurou que esse custo compromete outros gastos como saúde e educação.

Nesse ponto estamos falando principalmente da classe média que, em regiões metropolitanas, nem sempre aluga apartamentos com benefícios condizentes com o valor que paga. São áreas de grande procura, próximas a serviços e que se transformam em moeda especulativa de investidores afoitos. E boa parte das pessoas que pagam aluguel não consegue comprar um imóvel. Por vários motivos: falta capital, o salário não é suficiente para conseguir um financiamento ou as parcelas do financiamento são ainda mais elevadas que um aluguel. E isso acontece mesmo com as taxas de 10, 11% de juros ao ano mais TR, vendidas pelos bancos.

Enquanto parte dos brasileiros espreme o bolso para bancar o aluguel, outra se espreme em casebres. Os governos deveriam ter a habitação como prioridade, não só em discursos ou em inaugurações de míseras casinhas.

Marlon Herath Sem categoria

Boa, ou seja, redondo e mal

30, outubro, 2008

Comentário Rádio Santamariense, 7h20

Cobrar das cervejarias a conta dos danos causados pelo álcool. Essa é a intenção do Ministério Público Federal. Uma ação do procurador paulista, Fernando Lacerda Dias, pede na Justiça indenização de R$ 2,75 bilhões por danos causados à saúde da população pelo consumo de cerveja e chopp.

Estão na mira as principais cervejarias brasileiras, Ambev, Schincariol e Femsa, que respondem por 90% do mercado e investiram em 2007 quase um bilhão de reais em publicidade. E essa propaganda com belas mulheres, festas e muita bebida influencia principalmente os mais jovens.

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com jovens de 12 a 13 anos de São Bernardo do Campo, concluiu que a maioria dos adolescentes presta atenção nos comerciais de bebidas, muitos se identificam com eles e acreditam ser verdade o que diz a publicidade.

O cerco às cervejarias parece semelhante ao que já ocorreu com as indústrias de cigarros. Segundo a ação, os danos relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas como mortes violentas, problemas de saúde, dependência química, acidentes de trânsito, problemas profissionais e violência aumentam em razão do grande investimento em publicidade.

Dados do Movimento Propaganda Sem Bebida mostram que o consumo de álcool é responsável por mais de 10% de doenças e mortes no país, provoca 60% dos acidentes de trânsito e leva 65% dos estudantes à ingestão precoce.

Marlon Herath Sem categoria

Dinheiro para política

29, outubro, 2008

Comentário Rádio Santamariense, 7h20

Enquanto os comitês eleitorais fecham as contas dos gastos com as eleições, o governo já tem proposta para o financiamento público de campanha. Um dos principais itens da proposta de reforma política que deve ser enviada ao Congresso até dezembro, prevê que candidatos seriam financiados com o dinheiro de impostos, do nosso bolso.

Na Câmara dos Deputados também há projetos que tratam do assunto.
Pelo projeto do governo, o valor seria dividido entre os partidos de acordo com o tamanho da representação deles na Câmara dos Deputados. A intenção é acabar com as doações aos comitês como as feitas por empreiteiras, o que atualmente vincula o financiador e o eleito. O toma-lá-dá-cá. Isso compromete a suposta isenção que o político deveria possuir, o que também é discutível.

De qualquer forma, a disputa eleitoral seria mais igualitária, com origem conhecida do dinheiro gasto com propaganda, pessoal e viagem. Quem garante, no entanto, que partidos, comitês, candidatos não achariam outras formas de financiar as campanhas com dinheiro de origem obscura?

Em 2006 se estimou ser necessário um bilhão de reais para pagar toda a conta dos candidatos, de norte a sul. É o preço para se ter transparência e talvez evitar que dinheiro sujo seja aplicado para conquistar nosso voto. O problema é que para corrigir uma falha terrível de conduta de muitos políticos, é o bolso do próprio eleitor que paga a conta da democracia.

Marlon Herath Sem categoria

A economia e as urnas

28, outubro, 2008

Comentário Rádio Santamariense, 7h20

Será que os caminhos da economia brasileira podem ser decisivos para a sucessão presidencial de 2010? Fernando Henrique teve o Plano Real que o manteve no poder por 8 anos. A estabilidade econômica e os programas de distribuição de renda também reelegeram Lula. FHC enfrentou crises externas, dos países emergentes, como México, Rússia e os tigres asiáticos. Agora, Lula tem pela frente a crise financeira iniciada nos Estados Unidos, donos da maior economia. Mesmo com mais de 200 bilhões de dólares no cofre, Lula sabe que não pode gastar em vão.

Começou ajudando bancos, emprestou dólares para financiar as exportações, antecipou crédito para agricultura, além de tentar conter a alta do dólar. E nesta terça, a Câmara dos Deputados deve votar duas medidas provisórias contra a crise. Uma facilita o socorro a bancos pequenos e o crédito a exportadores. A outra, que recebe críticas da oposição, autoriza a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil a comprarem bancos em dificuldades. Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM) deve anunciar a nova taxa de juros, atualmente em 13,75%.

Há poucos dias, o presidente disse que era importante baixar o índice permitindo facilitar o crédito e o consumo. O problema é o momento. No crediário o consumidor já vê a redução do número de parcelas para a compra de eletrodomésticos, carros, e alguns bancos já praticam juros mais altos como no financiamento de imóveis. Analistas também apontam redução da taxa de crescimento da economia para 2009.

O governo anuncia medidas de acordo com a necessidade de enfrentar a crise. Se a situação econômica do país influenciar a corrida presidencial, o eleitor botará a mão no bolso, fará as contas e, daqui a dois anos, vai cobrar pelo depósito de confiança feito em 2006.

Marlon Herath Sem categoria

24, outubro, 2008

De 1995 a 2006, o peso relativo da população branca declinou. De 55,4%, em 1995, para 49,7%, em 2006. Já a população preta & parda evoluiu em termos relativos, na população total, de 45%, para 49,5%, sinalizando que poderá se tornar a maioria nos próximos anos. O fato de a população autodeclarada branca não ser mais a maioria absoluta dos residentes possui significado histórico. A última vez que tal fato foi captado pelos órgãos oficiais de estatística foi em 1890, quando o censo realizado naquele ano informava que os brancos totalizavam cerca de 35% da população.

Uma das conclusões do Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008, produzido pela UFRJ

Marlon Herath Sem categoria

Pitadas da reforma política

24, outubro, 2008

Comentário Rádio Santamariense, 7h20

A proposta do governo de reforma política deve ser enviada ao Congresso em dezembro. Resta saber se haverá tempo, interesse e acordo para votá-la até o segundo semestre de 2009, para que pudesse valer para as eleições de 2010. Também será preciso reunir propostas de emenda à constituição sobre o tema de parlamentares.

O projeto do governo trata dos seguintes pontos: lista fechada de candidatos; fidelidade partidária com base no que já foi estabelecido pela Justiça, pra evitar o troca-troca ou as siglas de aluguel; candidatos inelegíveis, a partir de condenações judiciais; regras para coligações e cláusula de desempenho, que barra o mandato de deputados eleitos em partidos que não alcancem 1% dos votos em pelo menos um terço dos estados. Analisemos um ponto da reforma:

Lista fechada de candidatos, em que o eleitor votaria para deputado ou vereador somente no partido. Seriam eleitos os candidatos indicados pela sigla na ordem de uma lista pré-estabelecida. Esse sistema é utilizado em países com partidos fortes como Uruguai, Argentina, Portugal e Espanha. Pelo sistema atual, o brasileiro vota mais na pessoa do que na bandeira dele, embora o voto possa eleger outro daquela legenda ou coligação. Isso ocorre porque o primeiro critério para definir o número de cadeiras dos partidos leva em conta o somatório de todos os votos conquistados pela legenda ou coligação. Os partidos também teriam vantagem com a lista fechada. Provavelmente eles dariam preferência a nomes tradicionais. Os caciques das siglas estariam na cabeça da lista, o que reduziria as chances de renovação política. Candidatos sem o apoio das cúpulas partidárias ficariam no pé da lista, com poucas chances de se eleger

A consulta pública sobre o projeto lançada em agosto foi prorrogada até 15 de novembro. Se você se interessa pelo tema ou não gosta da regras atuais do jogo político, é a hora de enviar sugestões por e-mail ou carta. Os endereços e o esboço do projeto do governo podem ser encontrados no site do Ministério da Justiça.

Marlon Herath Sem categoria

Governar no canetaço

23, outubro, 2008

Comentário Rádio Santamariense, 7h20

“As medidas provisórias não têm nenhuma diferença, pelo menos em seus efeitos, dos chamados decretos-leis da ditadura.” A afirmação, dita e redita nos últimos 20 anos, foi feita pelo presidente do Senado, Garibaldi Alves em sessão solene sobre a Constituição no Palácio do Planalto, o QG desse instrumento. Adotado pelo presidente da República, deveria ser editado somente em casos de relevância e urgência. Nas últimas semanas, por exemplo, a equipe econômica do governo tem lançado ações para enfrentar a crise financeira por meio das MPs.
Na prática, a medida provisória começa a vigorar imediatamente após sua edição, mas, para virar lei, precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional.

E além do excessivo número de edições, a MP não votada no prazo de 45 dias passa a trancar, bloquear, a pauta de votações do Congresso. Na maioria dos casos, esse prazo é esgotado na Câmara, e a MP já chega ao Senado trancando a pauta. Quatro novas chegaram ao Senado só nesta semana.

Pra se ter uma idéia da lentidão e da imposição do governo no Congresso por meio das medidas provisórias, no ano passado, das 120 sessões deliberativas do Senado, quando o plenário poderia votar projetos, em mais da metade, 68, a pauta esteve trancada pela tramitação das MPs.

Se o presidente governa por meio de decretos, o parlamento demora a resolver o problema. A Proposta de Emenda à Constituição 511/06, que altera a tramitação das medidas provisórias, ampliando as prerrogativas do Congresso, ainda não foi votada na Câmara. Pelo projeto, ela só terá força de lei se for admitida na Comissão de Constituição e Justiça ou no plenário, no prazo de 3 dias. A PEC também deve proibir a edição de MPs sobre tributos. A proposta é considerada uma das prioridades de votação do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia. O problema é que, quando uma prioridade no Congresso não favorece o governo, essa não encontra sustentação para chegar ao plenário. Em outras palavras, não há acordo com a base de apoio a Lula para que o projeto possa ser votado.

Enquanto isso, deputados e senadores continuam votando, em regime de urgência, projetos para criar cargos, elevar salários do funcionalismo ou conceder benefícios a setores da economia que passam chorando ao governo.

Marlon Herath Sem categoria

País da desigualdade racial

22, outubro, 2008

Comentário Rádio Santamariense, 7h20

A pobreza no Brasil tem cor: negra. A afirmação consta no Relatório Anual das Desigualdades Raciais do Brasil, divulgado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O estudo conclui que os brancos também são pobres, mas os negros são mais pobres ainda.

 

Pretos e pardos, nossos mestiços, vivem em condições precárias e sobrevivem à falta de saneamento básico e de vacinação. E desenvolvem doenças típicas provocadas pela pobreza. São a maioria absoluta dos mortos por malária (60,6%), hanseníase (58,3%), leishmaniose (58,1%), esquistossomose (55,5%) e diarréia (50%).

 

No trabalho, brancos ganham em média o dobro do salário dos negros. Em 2006, brancos recebiam 98,5% a mais que os negros. E a discriminação no bolso já foi maior. Em 1995, se um negro ganhasse 100 reais, um branco recebia 220 em média. Uma diferença de 120%.

 

Embora ainda gritante, a queda do desequilíbrio de renda se deve à redução da desigualdade e à mobilidade dos negros, que conseguiram migrar, mesmo que fossem poucos, para classes mais altas.

 

Além disso, no período de uma década, de 1995 a 2006, o peso relativo da população branca declinou. De 55,4%, em 1995, para 49,7%, em 2006. Já a população preta e parda evoluiu em termos relativos, na população total, de 45%, para 49,5%. Segundo o estudo, sinaliza que poderá se tornar a maioria nos próximos anos. O fato de a população autodeclarada branca não ser mais a maioria absoluta dos brasileiros tem significado histórico. A última vez que tal fato foi captado pelos órgãos oficiais de estatística foi em 1890, quando o Brasil recém saía da monarquia. Naquele ano, o censo informava que os brancos totalizavam cerca de 35% da população.

 

Mas existe ainda um longo caminho para a igualdade de condições. Na política, por exemplo, são poucos os candidatos negros e menos ainda o número de eleitos. Na Câmara dos Deputados em 2006, 46 deputados eram negros, apenas 9% do total de 513 parlamentares. No Senado a proporção é menor ainda. Na Justiça, segundo a pesquisa, dos 68 juízes de tribunais superiores, foram identificados apenas dois negros.


Na conclusão, o estudo chega às principais causas da pobreza do negro no Brasil. Persistência do preconceito, discriminação racial e racismo. Até quando vamos conviver assim?

Marlon Herath Sem categoria

Giz no pó

22, outubro, 2008

Comentário Rádio Santamariense, 21/10

O salário nacional dos professores deve chegar a R$ 1 mil em 2009, segundo o MEC. O piso atual definido por lei sancionada em julho é de R$ 950 e vale para professores federais, estaduais e municipais, de nível médio.

O valor do piso, o salário mínimo dos professores, deverá ser alcançado a partir de 1º de janeiro de 2010, com a diferença das atualizações, de forma progressiva e proporcional, sendo que a partir de 1º de janeiro de 2009 deverão ser pagos dois terços da diferença entre o valor do piso e o vencimento inicial de carreira. Para isso, muitas prefeituras precisarão adaptar o orçamento e destinar mais dinheiro para o salário dos professores. A correção anual se dará pelo índice da inflação, conforme foi definido por lei.

Mil reais para o professor ainda é, convenhamos, muito pouco. O Ministério da Educação já tem conhecimento de municípios onde não haverá dinheiro suficiente para elevar míseros salários de 300, 400 reais até o piso. Nesses casos, há previsão de aumento do repasse federal para que esses professores sejam beneficiados.

Pesquisa da Confederação Nacional de Municípios (CNM) em 512 cidades mostra que 398, quase 80% delas, pagam abaixo do piso sancionado por lei. E mais, nos municípios pequenos e pobres, as médias salariais variam de R$ 393 a R$ 620 para professores com nível médio e R$ 479 a R$ 798 para professores com faculdade.

Sindicatos de professores em todo o país já se articulam para cobrar dos novos prefeitos pelo menos o piso nacional. A qualidade do ensino não se mede pelo que se paga ao magistério, mas como motivar nossos mestres sem um mínimo de dignidade no bolso?

Tomara que a melhoria na educação não fique só no ajuste dos salários. Até porque – pais que levam seus filhos para as escolas nesse momento, não pensem que as reclamações vão terminar. Afinal, se categorias com salários de R$ 10, 15, 20 mil pedem aumento, o que esses têm que os professores de mil reais não têm a reivindicar?

Num país de tantas diferenças, poucos ganham bons salários. Ainda assim precisamos acreditar que as crianças terão num futuro próximo professores mais dispostos, motivados e com orgulho da profissão.

Marlon Herath Sem categoria

A semana em Brasília

20, outubro, 2008

Comentário Rádio Santamariense, 7h20

A semana que antecede o segundo turno das eleições suspende as votações na Câmara e no Senado. Os parlamentares da base e da oposição se esforçam para manter ou para mudar a hegemonia nas principais capitais brasileiras.

Em São Paulo, a situação da petista Marta Suplicy é difícil de acordo com última pesquisa Datafolha que aponta vantagem de 16 pontos percentuais para Gilberto Kassab (DEM). Em Porto Alegre, o Ibope dá a mesma vantagem para José Fogaça contra Maria do Rosário.

No Rio de Janeiro, o eleitor demonstra não ter gostado dos apoios de Eduardo Paes (PMDB). Embora esteja empatado tecnicamente com Fernando Gabeira (PV), a posição dita “independente” de Gabeira nas alianças com os partidos para o segundo turno parecem ter caído na graça do carioca. Situação semelhante ocorre em Belo Horizonte onde Marcio Lacerda (PSB) está 18 pontos atrás de Leonardo Quintão (PMDB). Lacerda, que venceu o primeiro turno, tem o apoio do prefeito, Fernando Pimentel, do governador Aécio Neves e da base de Lula, ou seja, PT e PSDB.

Voltando a Brasília, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, serão ouvidos em três comissões do Congresso nesta semana. O assunto é a crise financeira internacional e as medidas que o governo está tomando para enfrentá-la. Algumas, aliás, que dependem do Congresso, como a Medida Provisória para socorrer os bancos pequenos, oferecendo mais crédito. Esse assunto e o projeto de lei que cria o Fundo Soberano, aquela poupança para enfrentar crises como essa, devem voltar ao plenário após as eleições.

Enquanto isso, nesta segunda-feira ainda em São Paulo, o presidente Lula, reúne a equipe econômica para tomar novas posições de enfrentamento à crise.

“O Brasil não vai quebrar“, disse Lula em comício no ABC paulista no fim de semana. Essa, até o pior adversário torce para que o Brasil supere a crise. Pelo menos, enquanto a corrida presidencial de 2010 ainda não oficializou os candidatos.

Marlon Herath Sem categoria