Sem teto
Comentário Rádio Santamariense, 7h20
54,6 milhões de brasileiros têm problemas de moradia. Isso representa 34,5% da população urbana. Desse total, 30,1 milhões convivem com esgoto inadequado; 13,7 milhões não têm acesso à água tratada; 12,3 milhões enfrentam o adensamento, quando moram mais pessoas do que a casa comporta e 7,3 milhões moram em assentamentos irregulares. Outros 7 milhões de brasileiros vivem em favelas.
A passos muito lentos, programas públicos enfrentam o problema. Devemos considerar ainda o ônus excessivo com aluguel. Mais de cinco milhões de brasileiros gastam 30% ou mais da renda com essa despesa. A estimativa consta num estudo do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) que apurou que esse custo compromete outros gastos como saúde e educação.
Nesse ponto estamos falando principalmente da classe média que, em regiões metropolitanas, nem sempre aluga apartamentos com benefícios condizentes com o valor que paga. São áreas de grande procura, próximas a serviços e que se transformam em moeda especulativa de investidores afoitos. E boa parte das pessoas que pagam aluguel não consegue comprar um imóvel. Por vários motivos: falta capital, o salário não é suficiente para conseguir um financiamento ou as parcelas do financiamento são ainda mais elevadas que um aluguel. E isso acontece mesmo com as taxas de 10, 11% de juros ao ano mais TR, vendidas pelos bancos.
Enquanto parte dos brasileiros espreme o bolso para bancar o aluguel, outra se espreme em casebres. Os governos deveriam ter a habitação como prioridade, não só em discursos ou em inaugurações de míseras casinhas.

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