Trabalho na ressaca
Comentário Rádio Santamariense, 7h20
A residência oficial do presidente Lula será ocupada nesta segunda-feira pela equipe ministerial do governo. O cardápio do dia na Granja do Torto será a crise financeira. Para não inibir o apetite, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, vão apresentar as medidas adotadas para evitar a falta de crédito na produção e no consumo.
Como tira-gosto, na última semana o governo reduziu o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para a compra de motos por pessoas físicas. A alíquota caiu de 3,38% para 0,38% para estimular as vendas no setor. É uma tentativa de manter a venda de motos a prestações mensais de R$ 50. Foi anunciado também R$ 5 bilhões em empréstimos para o setor produtivo, principalmente os exportadores, e refinanciamento agrícola para o Centro-Oeste.
O encontro deve discutir ainda a situação dos empregos. Os números de outubro, mesmo positivos, mostram queda acentuada do ritmo de crescimento da abertura de vagas. Em todo o país foram 61 mil novos empregos contra 282 mil em setembro. E a redução não se dá apenas em capitais e regiões metropolitanas.
Santa Maria em outubro, pelos dados do Cadastro do Ministério do Trabalho (Caged), teve apenas 81 novos empregos no saldo entre admissões e demissões. Número muito inferior a setembro, 358, e ao mesmo período do ano passado, 456. E a construção civil, uma das atividades que mais crescia, demitiu mais que contratou em outubro. Efeito da crise que freou os negócios. Primeiro foram as férias coletivas, mas o que virá depois em categorias de baixos salários e que a quantidade de mão-de-obra pesa mais que a especialidade?
Outro dia, ouvi de um economista três conselhos para que o trabalhador não perca o emprego:
- Chegue antes do horário para trabalhar;
- Não peça aumento de salário;
- Dê tudo de si pela vaga.
Se formos levar tão a sério, estaremos deixando de cobrar horas extras, folgas, décimo terceiro. Aliás, categorias com menos qualificação suportam essa exploração a séculos, desde o império.
Tudo isso nas costas de pessoas que nunca negociaram ações, nunca trocaram migalhas de real por dólar. Até hoje, raramente conseguiram negociar um preço digno pelo suor e pelo sustento.
Tomara que os empregos desses brasileiros também sejam lembrados na reunião do presidente. Antes que seja tarde.

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