Fúria em duas rodas
Comentário Rádio Santamariense, 7h20
O número de mortes em acidentes envolvendo motos é 22 vezes maior hoje do que na década de 90. Em 2006, foram 6.734 vítimas fatais contra 299 em 1990.
A análise do Ministério da Saúde confirma que os acidentes com motos foram os que mais cresceram no período de 17 anos.
É verdade que a frota aumentou mais que os automóveis. O custo da gasolina também forçou a compra de motos com parcelas de 50 reais. E a moto é a alternativa de sobrevivência de muita gente, seja como transporte, seja como meio para o trabalho.
O levantamento mostra que em 1990 as mortes por acidentes de trânsito eram mais freqüentes nas cidades grandes. Depois de 1998, com a implantação do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a situação se inverteu. Hoje são as cidades com menos de 20 mil habitantes que encaram a tragédia sobre duas rodas. A taxa subiu de 13 mortes/100 mil habitantes em 1990 para 19,7/100 mil habitantes em 2006.
Autoridades apontam que falta fiscalização nas pequenas comunidades. E em toda a parte, não existe respeito às regras de trânsito.
Em Tabatinga, uma cidade esquecida na Amazônia, na fronteira com a Colômbia, motociclistas andam sem capacete. Isso no solo brasileiro. Para ingressarem no lado colombiano, precisam usar o equipamento. Sim, na Colômbia, a lei é cumprida e fiscalizada. O vergonhoso é que os brasileiros chegam à fronteira, separada por uma avenida, param a moto, pagam um real para o aluguel do capacete, e ingressam na Colômbia.
Assim como os condutores de veículos de quatro, oito, 20 rodas, os motociclistas precisam transformar habilidade em habilitação. Não basta saber pilotar, tem que respeitar os limites. Limites que tornam as motos mais seguras num trânsito violento de consciência frágil.

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