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Águas de março fechando o desemprego

Comentário Rádio Santamariense, 7h20

Os números do desemprego brasileiro em dezembro, 655 mil postos de trabalho fechados, são tão ruins quanto os americanos. Se atingimos uma situação negativa como nos Estados Unidos, o olho do furacão, é porque os efeitos da crise financeira internacional foram mal mensuradaos no Brasil.

Mesmo com as demissões de trabalhadores temporários, que ocorrem no fim do ano, os números alertam para o que vem pela frente.

Em Minas Gerais, há filas desde a madrugada para conseguir seguro-desemprego nas agências de trabalho, em São Paulo, empresários sugerem cortar salários e reduzir a jornada de trabalho sem garantia de manter os postos.

Em Santa Maria, foram 573 empregos a menos no saldo de dezembro, mais que o dobro de 2007. As demissões também foram elevadas em Pelotas, Canoas e Santa Cruz do Sul. Mas ninguém demitiu mais que Caxias, 3.223 postos a menos, corte puxado pelas indústrias. O desemprego na serra foi maior que na capital.

Esses números correspondem à realidade do trabalho com carteira assinada. Possivelmente os bicos, o subemprego aumentou em dezembro.

Agora o governo. O ministro do Trabalho Carlos Lupi reafirmou que o mercado volta a contratar em março. Se a previsão estiver certa, teremos ainda dois longos meses de desemprego. Resta saber se esse prazo será suficiente para as indústrias, a construção civil, os serviços saírem da UTI. E o comércio respirar -caso os assalariados recuperem o fôlego.

Como canta Tom Jobim em “Águas de março”:

É pau, é pedra
É o fim do caminho
É um resto de toco
É um pouco sozinho

Marlon Herath Trabalho

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