Cargos, projeção, mídia e 2010
Comentário Rádio Santamariense, 7h20
A Câmara e o Senado elegem na próxima segunda-feira, dia 2, seus novos presidentes.
Nesta semana, os candidatos esquentam as orelhas dos colegas; e os partidos, alguns ainda indecisos, se reúnem para decidir quem apoiar. É o caso do PSDB que deve se unir à candidatura de José Sarney (PMDB-AP) no Senado pensando mais à frente, num apoio do partidão à candidatura de José Serra à presidência em 2010.
Além de Sarney, que oficializou sua candidatura depois de uma reunião com Lula, disputa a presidência do Senado o petista Tião Viana, do Acre, enfraquecido depois do lançamento de Sarney e do não-cumprimento de um acordo feito em 2007 que elegeu Arlindo Chinaglia (PT-SP) para a Câmara, um rodízio entre PMDB e PT. Na Câmara, Michel Temer (PMDB-SP) é disparado o favorito, concentra os votos de 11 partidos como PT, PSDB e DEM.
A candidatura de Sarney à presidência do Senado pode retirar votos de Temer na Câmara, mas ainda assim insuficientes, pelo menos se não ocorrer grandes alterações. Aldo Rebelo (PC do B-SP), Ciro Nogueira (PP-PI) e Osmar Serraglio (PMDB-PR), correm por fora com raríssimas chances na Câmara.
As eleições das mesas diretoras da Câmara e do Senado não são dirigidas aos eleitores e não têm apelo popular, influências das ruas. As escolhas dizem respeito ao corporativismo, ao arranjo político do governo e da oposição dentro do legislativo e à exposição dos líderes na mídia e no cenário partidário.
Sarney, por exemplo, não é mais e possivelmente nunca foi, a esperança de resolver os problemas brasileiros. Mas a influência do velho cacique em Brasília começa na barbearia do Congresso e termina na chapelaria do Palácio do Planalto.
Por isso, os tucanos namoram Sarney que se encontra com Lula e sai candidato, mesmo contra um senador do partido do presidente.

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