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Rotatividade de emprego dos jovens é positiva

16, fevereiro, 2009

Comentário Rádio Santamariense, 7h20

Uma característica marcante dos jovens no mercado de trabalho é sua elevada rotatividade de emprego. Seis meses, um ano numa empresa e a batalha para sair novamente da condição de desempregado. A falta de experiência é uma das responsáveis pelo entra e sai dos jovens. Um estudo desenvolvido na Universidade Federal do Rio de Janeiro, pela economista Letícia Albuquerque traz conclusões animadoras para quem começou a trabalhar há no máximo 10 anos.

A rotatividade que é a troca de emprego ou empresa e os rendimentos estão associados de forma positiva. Os jovens que mudam de emprego tendem a ter ganhos salariais, desde que o número de desligamentos, demissões, não seja exagerado.

A pesquisa analisou a carreira de mais de 130 mil jovens entre 18 a 24 anos que começaram a trabalhar na indústria em 1996.

Depois de 10 anos, em 2005, o salário aumentou 87%, quase dobrou em média. Portanto, mostra que permanecendo na mesma empresa ou mudando, sendo demitido ou buscando novo trabalho, a tendência é de melhora no bolso.
E se for possível fazer escolhas, segundo o estudo, os empregados que se dirigem para as empresas de grande porte, o salário aumenta em 24% em comparação àqueles que foram para as microempresas.

Aí entra o papel do Estado. Na crise, ao anunciar medidas de socorro para bancos, montadoras e gigantes da construção civil, os pequenos negócios ficaram à deriva. Não tem poder de barganha.

E uma última conclusão da pesquisadora, que não é inédita. Quanto mais estudo, maior o salário ao longo da carreira profissional.

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O estudo da economista Letícia S. G. Albuquerque resultou em mestrado com publicação da nota técnica “Mobilidade de emprego entre jovens no Brasil” pelo Ipea.

Confira aqui a íntegra ou trechos das conclusões abaixo:

  • Apesar de positivos, os retornos da rotatividade são decrescentes. Dessa forma, os jovens que mudam de emprego tendem a ter ganhos salariais, mas tais ganhos são decrescentes à medida que a quantidade de desligamentos aumenta. Com tudo isso, nossos resultados apontam para uma relação positiva entre rotatividade de emprego e salários dos jovens, porém, embora haja ganhos, estes são decrescentes.
  • Por exemplo, se um indivíduo é admitido pela primeira vez, mas posteriormente troca de emprego, terminando o segundo ano de carreira com uma admissão no ano e um desligamento acumulado e com seis meses de experiência no emprego corrente, tais mudanças afetam em média negativamente os salários. Porém, se um trabalhador efetua esta troca de emprego anteriormente, terminando o segundo ano de carreira com um desligamento acumulado, mas sem admissões e com 12 meses de experiência, o efeito sobre os salários é, em média, positivo.
  • Analisando os dez anos iniciais de carreira, aqueles indivíduos que não sofreram nenhum desligamento durante o período e acumularam uma experiência de 110 meses no vínculo sofrem um efeito em média positivo sobre os salários. Um trabalhador que tenha sofrido seis desligamentos durante este período, mas que nos últimos anos se manteve estável no mesmo emprego por um período de 40 meses também tem um efeito positivo e ainda maior. Se um jovem sofreu três desligamentos ao longo do período de análise e foi readmitido no último ano, acumulando no emprego corrente três meses de experiência, o efeito sobre seu salário é positivo, porém muito menor, talvez devido ao fato de ainda estar pouco tempo no emprego.

  • Quanto ao setor de atividade, registra-se que os trabalhadores que mais se beneficiaram em termos salariais foram aqueles que migraram para a extrativa mineral. Os migrantes que se dirigiram para serviços de utilidade pública também ganharam em termos reais, enquanto as migrações para a administração pública, a agricultura o setor de serviços geraram perdas salariais. Os indivíduos que passaram a trabalhar na construção civil aumentaram seus ganhos em 2% em comparação àqueles que permaneceram na indústria.

Marlon Herath Trabalho

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