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O governo e a lógica do mercado de trabalho

Comentário Rádio Santamariense, 7h20

Na tarde de quarta-feira de cinzas em Brasília, Lula e ministros se reuniram com o presidente da Embraer para buscar entender a demissão de 20% dos empregados da empresa.

Frederico Curado reafirmou que a crise financeira, que reduziu as encomendas de aviões em 30%, exigiu que a empresa demitisse 4,2 mil funcionários na semana passada.

E a equação na economia capitalista é simples. Reduziu o lucro, o corte de investimento é acompanhado de demissões. No caso da Embraer perda de U$ 1 bilhão nos próximos 4 anos. Se não há venda nem produção não há emprego. Lula e os ministros ouviram o que já sabem.

A Embraer foi privatizada em 1994, mas o governo detém o maior número de ações. Mais de 90% da receita vem do exterior e antes do corte tinha 21 mil funcionários. E foi exatamente ela, uma empresa de sucesso, que aplicou uma lição ao governo. É preciso conhecer nos mínimos detalhes os negócios que detém. Desde o início da crise em setembro, o discurso é o mesmo: não demitam, estiquem as férias coletivas, troquem parte do lucro pela manutenção da mão-de-obra. E não funcionou. O governo também adotou medidas para favorecer os setores com maior retorno: carros e imóveis.

Pediu fraternidade no mundo dominado por corporações e no caso da Embraer, com asas sem fronteiras. O exemplo contraditório veio do próprio umbigo.

Lula e a equipe econômica ainda terão muitas reuniões com empresários que ameaçam ou como fez a Embraer, demitem.

Marlon Herath Economia, Política, Trabalho

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