Da suspeição à inocência
Comentário Rádio Santamariense, 7h20
Nem torcendo contra Câmara e Senado teriam um início de ano tão ruim como o atual. As votações não andam, principalmente no Senado. Escândalos tiraram o foco de projetos. Primeiro foi a eleição de Edmar Moreira para corregedor da Câmara. O ex-dono de um castelo em Minas Gerais gostaria que somente a Justiça investigasse a conduta dos parlamentares, acabando com o julgamento político. Edmar renunciou e a sua prestação de contas está sob investigação. Depois foi a vez do senador Jarbas Vasconcelos (PE) soltar o verbo contra seus colegas do PMDB, o partido que, segundo ele, se especializou em corrupção.
Agora não foi um parlamentar. Foi o diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, que se mantém no cargo por indicação há mais de 10 anos. A Folha de São Paulo denunciou que teria ele teria usado o irmão e deputado João Maia (PR-RN) para ocultar a propriedade de uma casa em área nobre de Brasília. Segundo o jornal, avaliada em R$ 5 milhões. Segundo o dono, vale a metade. Agaciel admitiu que cometeu um erro ao não passar a casa para o nome do irmão, mas disse que não há crime.
O presidente do Senado pediu que o Tribunal de Contas da União (TCU) apure a denúncia. Além de Sarney, Agaciel é homem de confiança do ex-presidente do Senado Renan Calheiros. E foi também do finado ACM.
Sarney afirmou que não há motivo para que ele deixe o cargo no Senado, mas o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), pediu o afastamento imediato do diretor. Em nota, Arthur Virgílio diz que “o primeiro gesto da nova direção do Senado deveria ter sido o de promover profunda renovação no quadro vigente e nos costumes administrativos da Casa”. Outro senador, José Nery (PSOL-PA), também defendeu o afastamento temporário do diretor-geral, para investigar a veracidade das denúncias. José Nery reforçou a crítica ao passado recente do Senado. “As novas denúncias não podem passar em brancas nuvens como, de regra, têm sido as apresentadas em outros momentos no Senado.”
Por falar em impunidade, 103 políticos são alvos de ações penais no Supremo Tribunal Federal. Outras 275 autoridades são investigadas em inquéritos. Apesar do volume de processos, desde a Constituição de 88 até hoje nenhum político foi condenado pelo STF. Aos olhos da mais alta corte brasileira os políticos são todos inocentes.

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