Lula estava em Riade, na Arábia saudita, onde discursou na Câmara de Comércio, antecipou que não queria falar sobre questões do Brasil, possivelmente se precavendo de perguntas sobre a abertura da CPI para investigar a Petrobras, mas lá estavam os jornalistas e aí…
Acompanhe os instantes anteriores à entrevista e a trecho dela.
” Eu só gostaria de pedir mais uma vez o seguinte: não tem sentido, depois de passar dois dias aqui discutindo, vocês me perguntarem qualquer coisa de política brasileira, das coisas internas do Brasil. Porque eu acho que diminui, sabe, a viagem que não é fácil, de 17 horas de voo para chegar aqui. Eu acho que deve ter muitos assuntos sobre a Arábia, sobre a China, sobre a Turquia, e deixar as coisas do Brasil quando eu voltar para o Brasil.”, disse Lula pouco antes das perguntas.
Depois da primeira pergunta – sobre o encontro, a CPI entrou na roda.
Presidente… não quero que o senhor fique bravo comigo…
Lula: Eu não vou ficar bravo, eu posso responder ou não responder.
Presidente, a gente tem uma série, um pacote de perguntas sobre toda a viagem para a Arábia Saudita, mas tem uma pergunta específica em relação à política brasileira que a gente é obrigado a fazer ao senhor. Quando o senhor saiu de lá, a questão da CPI da Petrobras já tinha as assinaturas, havia possibilidade das assinaturas serem retiradas. Isso não aconteceu. Então eu pergunto para o senhor: qual o receio do governo em relação a CPI da Petrobras, Presidente?
Lula: Veja, do ponto de vista prático, nenhum. O comentário que eu tinha que fazer, eu fiz quando deixei o Brasil. Eu não vou ficar tocando no assunto que é específico do Senado. Ali, todas as pessoas têm idade suficiente para fazerem o que entenderem que seja melhor. Eu só acho que nós estamos vivendo um momento de ouro na área do petróleo, nós estamos para colocar em debate nacional o novo marco regulatório do petróleo. Nós estamos viajando o mundo em busca de recursos para que a Petrobras possa intensificar a exploração do Pré-Sal, e eu acho que você não pode transformar, sabe… uma questão política, eleitoral, possivelmente menor, envolvendo a empresa mais importante que o Brasil tem. Mas de qualquer forma, se as pessoas que assinaram não têm outra coisa para fazer só tem aquilo, que façam. Nós vamos continuar tocando o barco.
Presidente, eu tinha até outra pergunta sobre questão nacional, mas eu não vou esticá-la em função do pedido do senhor. Eu vou apenas complementar a pergunta dele com uma pergunta a mais. O senhor acha que ainda é possível não levar adiante esta CPI? O senhor acha que seria uma decisão correta do Congresso nesse momento?
Lula: Eu não discuto mais esse assunto. Eu não discuto por uma razão muito simples: eu até agora não sei o que está por detrás disto. Possivelmente, alguns que assinaram estavam querendo tirar das suas costas todo este debate que a imprensa está fazendo sobre o Senado, outros possivelmente estejam preocupados com o processo eleitoral de 2010, e eu sinceramente estou preocupado em governar o Brasil e vou me dedicar a isso e vou priorizar isso. Sinceramente é a única coisa que eu tenho a fazer. Ou seja, eu tenho dois anos de mandato, quero concluir meu mandato e deixar o Brasil numa condição muito mais favorável do que aquela que eu recebi, porque eu acho que o Brasil entrou numa rota extraordinária de credibilidade internacional, de perspectiva de crescimento nos investimentos públicos e a verdade é que eu não tenho tempo de parar para ficar discutindo coisa menor. Essa é a verdade: cada um faça o que quiser, eu vou governar o Brasil. Foi para isso que o povo me elegeu e é isso que eu vou fazer.
Áudio
Acompanhe a conversa aqui.
Marlon Herath Política CPI, CPI da Petrobras, Lula
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