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Arquivo de agosto, 2009

Um cartão vermelho na várzea do Senado

26, agosto, 2009
Suplicy, Sarney e Heráclito. Fotos Geraldo Magela/Ag. Senado

Suplicy, Sarney e Heráclito. Fotos Geraldo Magela/Ag. Senado

 

Parecia uma manhã de domingo no campo de várzea na Vila Gramado, onde acompanhei grandes clássicos do futebol tosco.

Paixão, fúria e descarrego fora e dentro de campo.

José Sarney, um dirigente vitalício vaiado pela torcida e em crise com o vestiário, levando um vermelhão de Eduardo Suplicy, o ponta-esquerda das antigas recuado pelo cabresto do PT FC.

Heráclito Fortes, o becão que dá no meio dos adversários, passa de três dedos com a direita e chuta de rosca com a esquerda.

Lula, o cartola, assiste do camarote.

Lances dessa terça, 25/08
Suplicy – Sr. presidente, o que faz o juiz nos campos de futebol do Brasil para que todos o entendam? Apresenta o cartão vermelho. É isso, Sr. presidente. Avalio que, nessas circunstâncias, o melhor passo para a saúde do Senado Federal e do próprio presidente José Sarney é o simbolizado neste cartão vermelho, ou seja, que ele deixe a presidência do Senado e permita que o Senado volte aos seus trabalhos normais.

Minutos de blá-blá-blás e…
Heráclito – V. Exª permite que eu mostre que V. Exª não foi sincero? V. Exª permite? Para o Brasil ouvir que V. Exª não está sendo sincero? Vou mostrar por quê.

Suplicy  – Estou sendo sincero.

Heráclito – Vou mostrar. Espere! Calma!

Heráclito – Zezinho, por favor, um suco de maracujá para o Senador. Urgente!

Suplicy – Diga, então.

Heráclito – Calma, calma. V. Exª se arvora de um direito de juiz que não é para dar cartão vermelho, inclusive a mim.
Suplicy – Claro! Se V. Exª não é justo, se V. Exª quer distorcer o fato, eu lhe apresento um cartão vermelho.

Heráclito – V. Exª devia guardar esse cartão vermelho para apontar para o presidente Lula, que é o responsável por essa crise toda. E V. Exª não teve coragem de lhe apontar o cartão vermelho.

Suplicy – Eu digo e direi…

Heráclito – Cartão vermelho para o Lula, porque foi quem invadiu o campo aqui, foi quem invadiu as dependências do Senado. Cartão vermelho para o presidente Lula, que deu cartão amarelo para o líder do seu Partido, o senador Mercadante.

Achando assistir a uma luta de boxe, Mão Santa interrompe o som, soa o gongo, mas o round segue
Heráclito – V. Exª não tem coragem de dar cartão vermelho a Lula. Por que não dá o cartão vermelho aí, para o País todo ver? Porque o responsável disso tudo, quem foi? Seja sincero. Quem foi o responsável por isso tudo?

Suplicy – Eu vou dizer, se V. Exª me der…

Heráclito – Eu levo esse cartão vermelho que V. Exª me aplicou como um troféu. Um troféu indevido…

Heráclito – …um comportamento antolhado, o que só vê em frente e não vê dos lados. Se cala com a corrupção que grassa no governo. Vai para as CPIs para botar debaixo do tapete e obstruir as apurações dos fatos. Foi assim na CPI das ONGs. Quantas vezes V. Exª obstruiu aquela apuração! Portanto, não lhe dá autoridade, nem aqui nesta Casa, de impor cartão vermelho a ninguém. Pelo menos a mim eu não aceito. Não aceito, e digo isso com a sinceridade de um admirador de V. Exª. Agora, esse seu discurso insincero para fazer, para justificar meia dúzia de amigos que o criticaram, não está à altura dos milhões de votos que São Paulo lhe conferiu.

Suplicy – Sr. presidente, necessito do tempo suficiente.

Mão Santa – Não. O tempo suficiente usou. Tem um minuto. Ô Suplicy, assim, eu desligo isso tudo, vou me embora e encerro. Vamos encerrar e acabou. Quem… Olha aí, quem está com o apito aqui sou eu. Eu encerro e acabo. E o seguinte: atentai bem, V. Exª estava no banco de reserva. Só quem dá cartão vermelho é quem está no campo, ou como juiz, ou pode pegar… V. Exª ou o seu partido lhe colocou como suplente da coisa. Então, vamos ter paz e bem, entendimento… Assim, eu encerro a sessão, e está encerrada. E convoco para sexta-feira, V. Exª como promotor do caso e Almeida Lima como advogado. Aí tem o dia todo. Um minuto para concluir. Fica bonito.

Suplicy – Eu resolvi, e com toda sinceridade, senador Heráclito Fortes, aqui transmitir com veemência aquilo que disse, inclusive porque avalio que lá no Palácio do Planalto o presidente Lula precisa saber que, da mesma forma como tantas vezes ele mencionou, que a ética para nós do Partido dos Trabalhadores é tão importante, que a minha ação hoje é de justamente levar em consideração a sua recomendação feita a mim tantas vezes…

Heráclito – Vai levar o cartão vermelho para Lula ou não vai?

Suplicy – O Presidente Lula sabe muito bem aquilo que é a minha voz, com toda a sinceridade que ele está escutando hoje…

Heráclito – Merece o cartão vermelho o Presidente Lula, ou não merece?

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“Eu errei”, diz Mercadante, o imprescindível

24, agosto, 2009

20 de agosto, quinta-feira, um dia depois do Conselho de Ética livrar José Sarney

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Veio a noite, Aluizio Mercadante foi apagar as mágoas com o presidente Lula. Cinco horas a fio no Alvorada adormecido.

Ricardo Berzoini, o emissário do voto a cabresto, teve paz na guerra de comando.

No dia seguinte, ressaca e decisão revogada

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….

Mercadante, o imprescindível, fritou, foi fritado e pulou da chapa quente.

Defensor da investigação de Sarney, o líder da bancada petista poderia ter substituído Delcídio Amaral e Ideli Salvatti, ambos pré-candidatos aos governos estaduais de Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, no Conselho de Ética.

Suplicy teria votado na linha defendida por Mercadante.

Delcídio, por exemplo, mal balbuciava o voto favorável a Sarney. Criticou Mercadante.

O blefe de Mercadante prejudicou a bancada.

Mas Mercadante revigorou o apoio de Lula e não tem que responder pelo apoio do PT a Sarney.

Ficou na espreita vendo seus pares na fogueira.

Nesta segunda, foi para o Twitter tentar a paz interior.

“Eu errei ao dizer que anunciaria uma renúncia irrevogável”, arrebatou o líder da bancada petista antes e depois do fiasco no Conselho de Ética.

Em 2010, tenta a reeleição ao Senado.

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Fritado, Mercadante deixa liderança do PT

20, agosto, 2009

Twitter do senador Aloizio Mercadante há instantes.

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Ontem, depois de votar contra o desarquivamento das 11 acusações contra José Sarney, o petista Delcídio Amaral detonou, via Twitter, o então líder do PT: “Coisa feia Mercadante. Pela manhã assumiu, junto aos sen. João Pedro, Ideli que iria ler carta do pres. Berzoini (junto). Na coletiva negou.”

Ideli, João Pedro e Delcídio seguiram a posição do presidente do PT, Ricardo Berzoini, que orientou pelo livramento de Sarney, de acordo com a determinação de Lula e de Dilma.

Mercadante discordou do presidente da sigla, mas já era tarde.

No Conselho de Ética, negou-se a ler a nota de Berzoini que justificava o voto de cabresto da bancada.

À noite, sete senadores petistas alisaram o bigode de Mercadante. Apoio para que ele permanecesse no comando da bancada.

A líder do governo no Congresso, Ideli Salvatti (SC), Delcídio Amaral (MS), Fátima Cleide (RO) e Flávio Arns (PR) não foram à reunião.

O senador paranaense já havia anunciado a Mercadante que iria se desligar do PT.

Arns é a segunda estrela a cair fora da constelação petista em menos de vinte e quatro horas. Marina Silva quer brilhar no planeta verde.

E Lula chamou Mercadante para uma conversa. Vai sapecar ainda mais o senador.

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Conselho de Ética livra também Arthur Virgílio

19, agosto, 2009

A representação do PMDB contra o senador tucano Arthur Virgílio (AM) foi mantida arquivada por votação unânime dos 15 integrantes do Conselho de Ética.

A pizza tinha tantas fatias que até Renan Calheiros afirmou que estava satisfeito pelos esclarecimentos de Virgílio, pouco antes de ser aberta a votação nominal.

Virgílio

Virgílio admitiu ter mantido durante mais de um ano em seu gabinete um funcionário que estudava teatro na Espanha. O tucano está devolvedo o dinheiro que foi pago ao funcionário neste período. Também era pedida a investigação dos gastos para tratamento médico da mãe do senador, já falecida, a contratação de um personal trainer em Manaus em vaga comissionada e um empréstimo que teria sido feito pelo ex-diretor da Casa Agaciel Maia ao tucano. 

Sarney

O presidente do Senado, José Sarney, livrou-se da investigação do Conselho de Ética mais cedo. Por nove votos a seis, foram mantidas arquivadas as onze acusações.

Ficaram no sarcófago

  1. Usar ato secreto para a nomeação do namorado de sua neta;
  2. Obter favorecimentos através de atos secretos;
  3. Favorecer o neto em operações de empréstimo consignado a funcionários do Senado;
  4. Desviar recursos públicos na Fundação Sarney e de mentir ao negar ter ligações com a administração da Fundação José Sarney;
  5. Omitir casa de R$ 4 milhões da Justiça e de ter conta ilegal no exterior, gerenciada por Edemar Cid Ferreira;
  6. Vender terras nunca registradas em seu nome, evitando o pagamento de impostos;
  7. Ter se beneficiado na operação Boi Barrica. A operação da PF investiga seu filho, Fernando Sarney;
  8. Favorecer a empresa de seu neto em operações de empréstimo a funcionários do Senado, e a que o acusa de ser condescendente com a publicação de atos secretos;
  9. Usar os atos secretos para conceder benefícios e aumentar salários;
  10. Usar o advogado do Senado no Supremo Tribunal Federal em ação envolvendo causas próprias;
  11. Ter mentido, ao negar ter ligações com a administração da Fundação José Sarney.

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Conselho de Ética arquiva todas as acusações contra Sarney

19, agosto, 2009

Deu a lógica e Sarney se safou definitivamente do Conselho de Ética.

Foram nove votos para que as seis denúncias contra José Sarney não sejam investigadas. Os mesmos nove senadores mantiveram arquivadas as cinco representações contra o presidente do Senado.

Acabaram vencidos os seis senadores que votaram pelo desarquivamento das 11 ações.

Votaram contra o desarquivamento

Wellington Salgado (PMDB-MG)
Almeida Lima (PMDB-SE)
Gilvan Borges (PMDB-AP)
João Pedro (PT-AM)
Inácio Arruda (PC do B-CE)
Gim Argello (PTB-DF)
Delcídio Amaral (PT-MS)
Ideli Salvatti (PT-SC)
Romeu Tuma (PTB-SP)

Votaram a favor do desarquivamento

Demóstesnes Torres (DEM-GO)
Eliseu Resende (DEM-MG)
Marina Serrano (PSDB-MS)
Sérgio Guerra (PSDB-PE)
Rosalba Ciarlini (DEM-RN)
Jefferson Praia (PDT-AM)

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Marina cansou por PT não priorizar a questão ambiental

19, agosto, 2009

A bandeira ambientalista de Marina Silva estava hasteada a meio-pau no PT.

O novo mastro será no PV onde Marina acredita que poderá construir ”um modelo de desenvolvimento em cujo cerne esteja a sustentabilidade ambiental, social e econômica.”

Lula

No governo do presidente Lula, a senadora disse que “faltaram condições políticas para avançar no campo da visão estratégica, ou seja, de fazer a questão ambiental alojar-se no coração do governo e do conjunto das políticas públicas.”

Íntegra da carta ao presidente do PT(grifos do blog)

Caro companheiro Ricardo Berzoini,

Tornou-se pública nas últimas semanas, tendo sido objeto de conversa fraterna entre nós, a reflexão política em que me encontro há algum tempo e que passou a exigir de mim definições, diante do convite do Partido Verde para uma construção programática capaz de apresentar ao Brasil um projeto nacional que expresse os conhecimentos, experiências e propostas voltados para um modelo de desenvolvimento em cujo cerne esteja a sustentabilidade ambiental, social e econômica.

O que antes era tratado em pequeno círculo de familiares, amigos e companheiros de trajetória política, foi muito ampliado pelo diálogo com lideranças e militantes do Partido dos Trabalhadores, a cujos argumentos e questionamentos me expus com lealdade e atenção. Não foi para mim um processo fácil. Ao contrário, foi intenso, profundamente marcado pela emoção e pela vinda à tona de cada momento significativo de uma trajetória de quase trinta anos, na qual ajudei a construir o sonho de um Brasil democrático, com justiça e inclusão social, com indubitáveis avanços materializados na eleição do Presidente Lula, em 2002.

Hoje lhe comunico minha decisão de deixar o Partido dos Trabalhadores. É uma decisão que exigiu de mim coragem para sair daquela que foi até agora a minha casa política e pela qual tenho tanto respeito, mas estou certa de que o faço numa inflexão necessária à coerência com o que acredito ser necessário alcançar como novo patamar de conquistas para os brasileiros e para a humanidade. Tenho certeza de que enfrentarei muitas dificuldades, mas a busca do novo, mesmo quando cercada de cuidados para não desconstituir os avanços a duras penas alcançados, nunca é isenta de riscos.

Tenho a firme convicção de que essa decisão vai ao encontro do pensamento de milhares de pessoas no Brasil e no mundo, que há muitas décadas apontam objetivamente os equívocos da concepção do desenvolvimento centrada no crescimento material a qualquer custo, com ganhos exacerbados para poucos e resultados perversos para a maioria, ao custo, principalmente para os mais pobres, da destruição de recursos naturais e da qualidade de vida.

Tive a honra de ser ministra do Meio Ambiente do governo Lula e participei de importantes conquistas, das quais poderia citar, a título de exemplo, a queda do desmatamento na Amazônia, a estruturação e fortalecimento do sistema de licenciamento ambiental, a criação de 24 milhões de hectares de unidades de conservação federal, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e do Serviço Florestal Brasileiro. Entendo, porém, que faltaram condições políticas para avançar no campo da visão estratégica, ou seja, de fazer a questão ambiental alojar-se no coração do governo e do conjunto das políticas públicas.

É evidente que a resistência a essa mudança de enfoque não é exclusiva de governos. Ela está presente nos partidos políticos em geral e em vários setores da sociedade, que reagem a sair de suas práticas insustentáveis e pressionam as estruturas políticas para mantê-las.

Uma parte das pessoas com quem dialoguei nas últimas semanas perguntou-me por que não continuar fazendo esse embate dentro do PT. E chego à conclusão de que, após 30 anos de luta socioambiental no Brasil – com importantes experiências em curso, que deveriam ganhar escala nacional, provindas de governos locais e estaduais, agências federais, academia, movimentos sociais, empresas, comunidades locais e as organizações não-governamentais – é o momento não mais de continuar fazendo o embate para convencer o partido político do qual fiz parte pro quase trinta anos, mas sim o do encontro com os diferentes setores da sociedade dispostos a se assumir, inteira e claramente, como agentes da luta por um Brasil justo e sustentável, a fazer prosperar a mudança de valores e paradigmas que sinalizará um novo padrão de desenvolvimento para o País. Assim como vem sendo feito pelo próprio Partido dos Trabalhadores, desde sua origem, no que diz respeito à defesa da democracia com participação popular, da justiça social e dos direitos humanos.

Finalmente, agradeço a forma acolhedora e respeitosa com que me ouviu, estendendo a mesma gratidão a todos os militantes e dirigentes com quem dialoguei nesse período, particularmente a Aloizio Mercadante e a meus companheiros da bancada do Senado, que sempre me acolheram em todos esses momentos. E, de modo muito especial, quero me referir aos companheiros do Acre, de quem não me despedi, porque acredito firmemente que temos uma parceria indestrutível, acima de filiações partidárias. Não fiz nenhum movimento para que outros me acompanhassem na saída do PT, respeitando o espaço de exercício da cidadania política de cada militante. Não estou negando os imprescindíveis frutos das searas já plantadas, estou apenas me dispondo a continuar as semeaduras em outras searas.

Que Deus continue abençoando e guardando nossos caminhos

Saudações fraternas

Marina Silva

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Marina sai do PT e PV já prepara festa para recebê-la

19, agosto, 2009

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Mercadante e Berzoini atenderam ao telefonema de Marina Silva pela manhã sabendo que não tinham mais nada a fazer.

Aliás, já faz um bom tempo que o partido e Lula tratam Marina,  há 30 anos no PT, com desprezo.

Marina pediu demissão do Ministério do Meio Ambiente em maio do ano passado, depois de cinco anos enfrentando o que considerou “resistências” às ações dela na pasta. Marina saiu em meio a pressões por causa da demora no licenciamento ambiental de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Marina foi eleita para o Senado pela primeira vez, aos 36 anos, a senadora mais jovem da história.

Nova bandeira e candidatura

O Partido Verde dá como certa a filiação de Marina e uma candidatura à presidência da república.

A direção do PV informou hoje que “Marina indicará nove integrantes de sua equipe que, juntamente como ela própria, ingressarão na Executiva Nacional do PV e, juntamente com onze membros atuais da Executiva, formarão uma Coordenação Nacional destinada a tratar, prioritariamente, da elaboração do texto base para os novos programas partidário (20 anos) e de governo (5 anos) pela campanha presidencial.”

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PT votará pelo arquivamento das acusações contra Sarney no Conselho de Ética

19, agosto, 2009

Twitter do senador Delcídio Amaral (PT-MS), 13h15, a menos de uma hora da reunião do Conselho de Ética.

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Além de Delcídio, João Pedro (PT-AM) e Ideli Salvatti (PT-SC) votarão para que as ações permaneçam no sarcófago da ética.

Com isso, dos 15 votos, a posição terá com apenas cinco. Sarney vai se safar das seis denúncias e cinco representações, e Arthur Virgílio (PSDB-AM), de uma representação.

PT

Próximo do meio-dia, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, divulgou a nota “A crise do Senado e os recursos no Conselho de Ética”.

O presidente petista relaciona a crise do Senado à tentativa de romper a aliança do governo com o PMDB para prejudicar a canditura de Dilma Rousseff à sucessão de Lula.

Berzoini não acredita que o Conselho de Ética possa conduzir uma investigação “isenta e equilibrada” sobre Sarney, Virgílio ou qualquer outro senador.

 
Íntegra (grifos do blog):

A crise política pela qual passa o Senado Federal tem raízes em práticas administrativas inaceitáveis, que colidem com princípios constitucionais que fundamentam a administração pública.

Nos últimos meses, tomamos conhecimento de uma série de distorções que demonstram que a necessária estrutura de garantia da ação parlamentar converteu-se em uma série de privilégios e desmandos que exigem reparação e mudanças na estrutura da Casa.

É urgente a reformulação da gestão do Senado Federal, criando mecanismos modernos de gestão e instrumentos regulares de transparência. Também é necessária a apuração das irregularidades que se referem aos atos praticados por servidores e parlamentares que tenham ferido a legislação. Para tanto, Ministério Público e Polícia Federal, que já estão investigando, têm instrumentos e metodologia apropriados para apurar de forma isenta as irregularidades apontadas.

No entanto, não podemos ignorar que essa mesma crise é alimentada pela disputa política relacionada às eleições de 2010. A forma como as denúncias concentram-se no presidente do Senado, José Sarney, não deixa dúvidas de que, mais que apurar e reformar, a pretensão é incidir nas relações entre partidos, que apoiam o governo ou que podem constituir alianças para as eleições nacionais e estaduais do próximo ano. Ignoram ou minimizam ilegalidades graves de determinados parlamentares ou partidos e concentram na desconstituição do presidente da mesa, como se ele tivesse responsabilidade exclusiva pelos problemas de todo o Senado.

O PT apresentou ao Senado a candidatura do senador Tião Viana para presidir a instituição, com uma plataforma de reformas que poderiam ser um passo adiante. Nossa candidatura não foi vencedora e reconhecemos o resultado.

Por entender que essa crise tem raízes reais, mas é manipulada de forma hipócrita para interesses eleitorais, e por defender a estabilidade política e o estado democrático de direito, como bases para um funcionamento pleno da democracia, não há como reconhecer no Conselho de Ética, com os ânimos da radicalização política atual, condições para encaminhar uma investigação isenta e equilibrada, seja sobre o senador Sarney ou sobre o Senador Virgílio, sem falar em outros casos sobre os quais caberia representação ao órgão.

Nesse sentido, oriento os senadores do PT que fazem parte do Conselho de Ética que votem pela manutenção do arquivamento das representações em relação aos senadores representados, como forma de repelir essa tática política da oposição, que deseja estabelecer um ambiente de conflito e confusão política, no momento em que os grandes temas do Brasil, como o Marco Regulatório do Pré-sal e as estratégias para superação da crise internacional, são propostos pelo presidente Lula como pauta para o necessário debate nacional.

Aqueles que desejam investigações efetivas podem buscar as instituições apropriadas, que não faltam à Nação. O Senado deve cumprir seu papel legislativo e reformular sua gestão com a máxima urgência.

Ricardo Berzoini
Presidente Nacional do PT 

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A amnésia de Lina e a penumbra do gabinete de Dilma

18, agosto, 2009

Não lembrou hora, dia, semana nem o mês, mas insistiu que houve a agenda no Palácio do Planalto entre ela e a ministra da Casa Civil.

A ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, deu alguns detalhes sobre o suposto encontro com Dilma Rousseff, quando interpelada pelo líder do Democratas, José Agripino.

Dilma nega o encontro. Quem fala a verdade?

O senador começou assim:

- Se lembra se foi na primeira semana, na segunda, na terceira, na quarta semana do mês de dezembro?

Lina:

- Senador, eu já tentei bastante me lembrar desde que tudo isso começou pela imprensa. Fiz um esforço de memória, mas o que eu me lembro foi o que eu relatei aqui. Eu não posso precisar o dia, eu saí da Receita Federal num carro oficial que é destinado ao secretário da Receita Federal, é um carro específico que tem placa específica. O motorista que é terceirizado lá no Ministério da Fazenda me levou ao prédio do palácio do Planalto, eu entrei pela garagem…

Fiz um esforço de memória, mas o que eu me lembro foi o que eu relatei aqui. Eu não posso precisar o dia.

- Lembra o nome do motorista? Indaga Agripino.

- Tem o que trabalha pela manhã, o que trabalha à tarde, nós temos os nomes dos motoristas, nós temos as placas do carro. Entrei pela garagem, tinha uma pessoa que fica no birô ali na entrada pela garagem, passei por essa pessoa, passei pelo detector de metais, peguei o elevador, subi ao quarto andar. No quarto andar, saí do elevador, subi sozinha nesse elevador, e fiquei procurando porque não sabia onde é a sala. Foi aí que veio a Erenice [Erenice Guerra, secretária-executiva da Casa Civil], tem uma salinha…

- A Erenice apareceu?

- Ela apareceu. Nessa salinha eu fiquei aguardando a ministra me atender, tinham duas pessoas lá. Me sentei, tomei água, tomei café, enquanto aguardava.

- Essas pessoas eram dois homens ou era um homem e uma mulher?

- Era um homem e uma mulher, eu não sei o nome das pessoas, eu não anotei nada. Aí saí de lá. Pela Erenice fui conduzida ao gabinete da ministra, como eu disse foi muito rápido o encontro.

- Como é o gabinete da ministra, doutora?

- Pois é, foi muito rápido esse encontro, eu não me ative aos detalhes do gabinete da ministra. As mesas se eram móveis antigos, se eram móveis modernos, porque efetivamente foi muito rápido. Eu só notei que era uma sala meio que em penumbra, não estava bem iluminada e a ministra estava com um xale. Por que que eu notei esse xale? Porque é diferente, geralmente nós que trabalhamos usamos um terninho, uma coisa mais prática, e ela estava com uma blusa, em cima da blusa um xale, achei até muito bonito e conversamos ali rapidamente e eu saí e fui embora. Retornei para a Receita.

Eu só notei que era uma sala meio que em penumbra, não estava bem iluminada e a ministra estava com um xale.

- Ela tava apressada?

- É, eu notei que ela estava, não sei se era outra reunião, se era o quê, viagem, não sei o que era, mas o encontro foi muito rápido já também por isso.

- O tom em que ela solicitou a Vossa Senhoria para agilizar os procedimentos, que significa encerrar, era um tom ameno ou normal ou era um tom meio impositivo?

- Não, era um tom ameno.

- Era um tom ameno? Insiste o senador.

- Era um tom ameno.

- Vossa Senhoria que supõe que pelas circunstâncias essa agilização como não era um fato normal significava na verdade encerrar?

- Eu entendi, eu interpretei assim. Eu não sabia do caso porque eu não sabia o assunto que seria tratado lá. Quando ela me perguntou eu disse. Olha, eu vou verificar, não sei qual é a dificuldade para agilizar a fiscalização e disse, tá bom, ministra, tá certo, até logo… Voltei pra Receita e na Receita fui verificar o que tinha. Tava tudo tramitando normalmente com determinação judicial sendo cumprida, deixei tocar e não dei qualquer retorno pra ministra. É bom também que lembre, senador, eu nunca dei retorno a ela, mas também nunca fui cobrada.

- Mas foi claramente falado o processo do filho do senador Sarney?

- Ela pediu que agilizasse a fiscalização do filho de Sarney. Retornei pra Receita, levantei as apurações, tava ocorrendo tudo normal como a Receita faz com seus critérios impessoais e objetivos de fiscalização, por determinação judicial correndo em segredo de Justiça. Não dei retorno a ninguém, não conversei desse assunto com ninguém nem com meus familiares, não dei retorno mas também nunca fui cobrada por este assunto.

Ela pediu que agilizasse a fiscalização do filho de Sarney.

Marlon Herath Política ,

FGV sugere que Senado corte 17% dos gastos

18, agosto, 2009

O estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) será submetido ao plenário do Senado, antecipou José Sarney ao receber o documento nessa manhã.

O estudo para reforma administrativa do Senado propõe:

  • Cortar R$ 376,4 milhões ao ano dos gastos com mão-de-obra terceirizada, salários efetivos e comissionados, obrigações patronais e outros custos com serviços terceirizados;
  • Reduzir em 43% os cargos de chefia nos níveis estratégico, intermediário e operacional. Cairia de 13 para sete as assessorias de nível estratégico e de 41 para seis as diretorias. No nível intermediário, as atuais 89 assessorias serão reduzidas a 19, enquanto as 95 chefias se transformarão em 81. E, no nível operacional, as cinco assessorias serão extintas, enquanto as 379 chefias baixarão para 240.

Gastança

O orçamento do Senado para 2009 é de R$ 2,74 bilhões. Em 2001, mal alcançava R$ 1 bilhão.

Os gastos com pessoal previstos para este ano chegam a R$ 2,22 bilhões.

No ano passado, o Senado gastou R$ 125 milhões com a locação de mão-de-obra, a maior parte do dinheiro, R$ 95 milhões, para contratar funcionários para apoio administrativo, técnico e operacional.

As terceirizações consumiram outros R$ 168,01 milhões com serviço médico (R$ 59,34 milhões), telecomunicações (R$ 18,66 milhões) e manutenção (R$ 12,86 milhões), entre outros.

Marlon Herath Dinheiro público, Política