O coronel Ricardo da Fonseca Martins assume hoje o comando da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF).
Sai de cena o coronel Luiz Sérgio Lacerda Gonçalves que depois de um curto período no cargo de comandante – assumiu em maio de 2009, resolveu aposentar-se, segundo o GDF.
O novo comandante tem um blog, do qual destaco algumas das ideias concebidas antes da nomeação.
Financiamento de “corvos”
Em 16 de dezembro, uma semana depois da ação truculenta dos colegas PMs contra manifestantes em frente ao Palácio do Buriti, Martins “alertou” para uma realidade sobre o financiamento de movimentos sociais: “o Estado brasileiro está financiando corvos que lhe vão comer os olhos”.
A nota “UNE e financiamento” está na íntegra e sem correções textuais:
Caribenho apresentou suas reflexões sobre o financiamento oficial da UNE, possivelmente relacionando com os últimos acontecimentos de enfrentamento com policiais militares. Essa é uma realidade: o Estado brasileiro está financiando corvos que lhe vão comer os olhos. (UNE, MST, ETC). E o pior: com dinheiro do povo! Já aparece no meio acadêmico grupos de direita que repudiam esse tipo de coisa. Mudanças a vista.”
Durval Barbosa, o “herói Macunaíma”
Em 12 de dezembro, 15 dias depois da descoberta da Caixa de Pandora, Martins escreveu sobre o suposto esquema de corrupção no GDF.
As opiniões foram soltas sob o título “Dúvidas sobre a crise – o que me pertunto todos os dias”.
Sem esboço dúbio, considera Durval Barbosa “o principal criminoso”. Diz que “as instituições não conseguem investigar nem apurar nada” na “seara” do grupo de Durval, descrito de 15 formas, entre elas, “corja” e “rabacuada”.
Segundo o coronel, a descoberta de escândalos de corrupção no Brasil “é fruto de denúncias de ex-mulheres de políticos ultrajadas e ressentidas com seus ex-maridos ou de bandidos que tiveram seus golpes sufocados…”
A criticar o caixa dois nas campanhas eleitorais, diz que “A cassação simplesmente do governador não resolve o problema, somente satisfaz a solução simplista e hipócrita de punir um dos culpados para livrar os demais.”
Trecho do artigo:
Quem é o principal criminoso dessa história? Há criminosos conhecidos e provavelmente muitos não revelados. Para mim o principal deste esquema atende pelo nome de Durval Barbosa. É ele o arrecadador da propina, achacador de empresários e distribuidor maquiavélico de benesses para corromper os políticos e poderosos sem escrúpulos. Ele é verdadeiramente o gerente da rede criminosa, que construiu a custa de extorsões e chantagens. Chegou a citar um bordão em uma de suas gravações: “Uma vez Flamengo, sempre Flamengo”, como quem diz que uma vez participante do seu esquema não tem retorno. Coitado do Flamengo e olha que sou Fluminense! Daqui a pouco vira herói Macunaíma sem caráter, se livra dos crimes e incrimina parte de sua canalhada, cáfila, cambada, corja, jolda, maloca, malta, matilha, pandilha, partida, quadrilha, récova, récua, rabacuada e súcia.
As instituições não conseguem investigar nem apurar nada nessa seara, daí a estratégia da delação premiada. Tudo que se tem revelado em termos de corrupção nesse país é fruto de denúncias de ex-mulheres de políticos ultrajadas e ressentidas com seus ex-maridos ou de bandidos que tiveram seus golpes sufocados e ao revelarem seus objetos de chantagem estão na realidade chantageando outros que ainda não foram descobertos. Ou seja, denunciam um esquema e preservam os demais para que possam lhe sustentar doravante. Vão-se os anéis e ficam os dedos. Ou podemos acreditar que os corrompidos são somente os que tiveram seus vídeos revelados? Esse tipo de financiamento é uma novidade? Não vai acontecer mais nas próximas eleições?
Enquanto não houver uma reforma política isso não se resolve. Você acredita que os que exercem mandato hoje vão promover essa reforma e matar a galinha dos ovos de ouro deles?
Uma candidatura para Senador do DF pode custar R$ 1.612.700,00, conforme verificado no site do TSE em valores declarados, tirando o financiamento não contabilizado! Um Senador se ganhasse R$ 30.000,00 por mês, e ganha menos que isso, perceberia em 48 meses R$ 1.440.000,00. Metade do que percebe no mandato serve apenas para custear a campanha. O que ou quem compensaria essa diferença e com que propósitos? Somente contribuir com a democracia?
2. O problema está somente no executivo? Por que somente querem a cabeça do Governador na bandeja? Essa é uma crise institucional sem precedentes. É o resultado de um sistema político corrompido no financiamento de campanhas. A cassação simplesmente do Governador não resolve o problema, somente satisfaz a solução simplista e hipócrita de punir um dos culpados para livrar os demais. Se quisermos ter um sistema eficaz de controle desse tipo de corrupção precisamos investir no controle de circulação de dinheiro. Com o nível de automação bancária e do sistema de controle da COAF não haveria muito problema em se restringir a circulação de dinheiro por numerário vivo. A não adoção dessa medida é uma estratégia de manter tudo como está e somente penalizar o desafortunado que for apanhado, já que se trata de uma atividade de risco.
3. Onde estão os movimentos contra os deputados, os empresários, os supostos magistrados envolvidos, os donos dos órgãos de imprensa, etc.? Quem anda financiando as manifestações com marmitex e cinquentinha?
Daqui a pouco vão achar que essa gente coitada foi vítima do processo. Balela! O crime de corrupção implica na existência de corruptos ativos e passivos. São todos farinha do mesmo saco.”
Segurança de Collor
Em dois de dezembro, cinco dias depois de surgirem os primeiros indícios do Mensalão do DEM, Martins esboçou em “Crise, governança e governabilidade” considerações sobre a dimensão das denúncias.
Em certo parágrafo, lembra da “experiência” que teve como segurança pessoal do ex-presidente Fernando Collor no dia do impeachment.
Busquei comparar com o dia em que estava de serviço na Presidência da República e o Presidente Collor, de quem fui segurança pessoal, foi afastado do cargo pelo processo de impeachment. Aquela foi uma experiência que me marcou e lembro como as instituições se encarregam de debelar uma crise política, ainda que depois tenha reverberado no legislativo federal com a CPI dos anões do orçamento.”
Marlon Herath Direitos Humanos, Serviço público Arruda, PM-DF
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