Investigação vai atrás das movimentações financeiras de envolvidos no Mensalão do DEM. E o dinheiro passou pelos bancos?
Sentado no gabinete de Durval em 2006, Arruda, então candidato, recebe maços de dinheiro. Em 30 de novembro de 2009, três dias depois da varredura da Caixa de Pandora, disse que o dinheiro foi utilizado para “a compra de panetones”.
Estão quebrados desde 18 de dezembro, o Superior Tribunal de Justiça confirmou apenas ontem (12), os sigilos fiscal e bancário do governador José Roberto Arruda, de mais sete envolvidos, seis empresas e duas associações suspeitas de participarem do esquema de corrupção.
Procuradores do Ministério Público Federal estão rastreando, portanto, remessas bancárias, depósitos, saques e transferências de contas e dinheiro declarado à Receita Federal.
Mas a videoteca de Durval Barbosa, que ilustra a Caixa de Pandora, mostra o governador, deputados e aspones recebendo dinheiro vivo!
Estes maços tiveram o caminho oficial do dinheiro?
Escondidos em bolsos, meias, cuecas, envelopes, pastas e bolsas, foram instantes depois depositados no banco?
O que ficou no cofre, nas estranhas de colchões e gavetas foi declarado ao fisco?
Ah, perdoem-me e ceticismo. O próprio presidente do legislativo, Leonardo Prudente, que deu novo sentido às meias, porto seguro para o dim-dim, admitiu que recebeu recursos não contabilizados para a campanha eleitoral.
A Polícia Federal marcou parte das notas de dinheiro que eram repassadas por Durval. Talvez sirva para identificar estas transações.
STJ
A pedido do Ministério Público Federal, o Superior Tribunal de Justiça quebrou os sigilos fiscal e bancário de oito envolvidos:
- Governador José Roberto Arruda;
- Conselheiro afastado do Tribunal de Contas do DF e ex-chefe de gabinete de Arruda, Domingos Lamoglia;
- Ex-chefe de gabinete de Arruda, Fábio Simão;
- Ex-assessor de imprensa de Arruda, Omézio Pontes;
- Ex-secretário de Educação, José Luiz Vieira Valente;
- Chefe afastado da unidade de Administração da secretaria, Gibrail Nabih Gebrim;
- Deputada Eurides Brito (PMDB), líder do governo Arruda até dezembro;
- Deputado Leonardo Prudente, presidente da Câmara Legislativa.
Seis empresas:
- Adler Assessoramento Empresarial e Representações Ltda;
- Vertax Consultoria Ltda;
- Info Educacional Ltda;
- Uni Repro Serviços Tecnológicos Ltda;
- Linknet Tecnologia e Telecomunicações Ltda;
- CTIS Informática Ltda.
Duas associações:
- Associação Brasiliense dos Amigos do Arruda no Distrito Federal;
- Instituto Fraterna, da primeira-dama Flávia Arruda.
O STJ também deu dois dias para o secretário de Fazenda, André Clemente, envie informações sobre contratos relativos ao período de 2007 a 2009, entre eles, repasses à Fundação Gonçalves Lêdo.
CGU
A Controladoria-Geral da União (CGU) realiza fiscalizações e auditorias sobre os recursos federais transferidos para o governo do Distrito Federal. Os trabalhos visam prioritariamente a identificar e verificar a regularidade dos contratos realizados com empresas citadas na Operação Caixa de Pandora.
A Controladoria poderá declarar inidôneas essas empresas, o que impede repasses financeiros e a assinatura de novos contratos.
Já foram emitidas 130 ordens de serviço para os auditores da CGU, que abrangem as áreas de segurança, saúde, justiça, transportes, cidades, educação, desenvolvimento social, piscicultura, agricultura, esportes, turismo, cultura, desenvolvimento agrário, recursos hídricos e ciência e tecnologia.
Os auditores já estão em campo na Secretaria de Saúde, no Corpo de Bombeiros, e nas Polícias Civil e Militar. Na próxima semana, começa a devassa nos contratos das Secretarias de Educação; Justiça, Direitos Humanos e Cidadania; Desenvolvimento Social e Transferência de Renda.
Desde 2006, o GDF recebeu R$ 1,86 bilhão de recursos repassados pelos ministérios.
MPDFT
Ação Civil Pública do Ministério Público do DF (MPDFT) entrou no Tribunal de Justiça do DF na sexta (8) contra a Câmara Legislativa, a mesa diretora, os deputados distritais Aylton Gomes (PR), Benedito Domingos (PP), Benício Tavares (PMDB), Eurides Brito (PMDB), Júnior Brunelli (PSC), Leonardo Prudente (sem partido, ex-DEM), Rogério Ulisses (sem partido, ex-PSB), Roney Nemer (PMDB) e os suplentes Berinaldo Pontes (PP) e Pedro do Ovo (PRP), citados no inquérito, além do GDF.
Os promotores querem que os deputados sejam considerados suspeitos para atuar na análise do processo de impeachment de Arruda, sendo substituídos por parlamentares suplentes.
A ação não obteve êxito na primeira análise na 7ª Vara de Fazenda Pública que pediu mais informações.
A Câmara e os deputados têm três dias para prestarem esclarecimentos à Justiça.


Posts mais comentados