Eurides diz que Roriz mandou ela pegar dinheiro com Durval

Roriz “mandou me dizer para eu passar no Durval e eu passei e recebi”, avisa Eurides.
O ex-governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PSC), recheia as respostas de Eurides Brito (PMDB) sobre o encontro com Durval Barbosa em 2006, em que ela “recheou” a bolsa com maços de dinheiro.
A história, inédita, foi publicada no blog dela como a íntegra de uma entrevista ao jornal da Comunidade, que não publicou “muito do que foi dito” porque o espaço “não era tão grande”, disse Eurides.
Processada por quebra de decoro parlamentar, praticamente no limite para renunciar e evitar a perda dos direitos políticos, a deputada conta que entre maio e junho de 2006, ao apoiar Roriz na corrida ao Senado, promoveu 12 rega-bofes. “Aí eu falei para ele que seria bom atrair mais gente para essas reuniões explicativas e que seria difícil reunir 200 ou 300 lideranças fora do período de campanha se não fosse como reunião de confraternização, tipo café da manhã, almoço ou galinhada no jantar com grupo musical para animar”, lembra Eurides.
Roriz teria esquecido de reembolsar os gastos dos momentos pança-pré-eleitorais. Depois da convenção, na casa de Roriz, Eurides cobrou: “Daí o lembrei que ele não havia pagado ainda o dinheiro das reuniões de esclarecimento das candidaturas ao governo. E que estava me fazendo falta. Ele brincou dizendo que a culpa era minha por não ter lembrado a ele e afirmou que no dia seguinte me pagaria.”
No seguinte, Roriz teria ordenado o acerto de contas com Durval, “ele mandou me dizer para eu passar no Durval e eu passei e recebi.”
Roriz foi eleito senador com apoio de Eurides que se elegeu para a Câmara distrital. Em 2007, ele teve de renunciar ao mandato para escapar do processo de cassação depois que gravações da Operação Aquarela o mostraram negociando a partilha de R$ 2,2 milhões com o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Tarcísio Franklin de Moura. O rateio ocorreria no escritório do empresário Nenê Constantino.
Eurides não dá sinais que vai renunciar e está disposta a chamar Roriz como testemunha. Ele já negou que tenha qualquer participação no encontro dela com Durval.
Eurides completou 73 anos nesse domingo (28), é seis meses mais moça que Roriz.
O relator do processo contra ela, Bispo Renato (PR), pode até convidar Roriz para dar explicações, mas isso tem menos chance de sucesso (ele não aceitaria) que a absolvição dela.
A jovialidade da deputada em escândalos talvez possa fazê-la trazer fatos novos que até os oráculos de Roriz duvidem.
Arruda, no divã solitário da carceragem da Polícia Federal, observa os astros torcendo para que seu antigo mestre perca a proteção dos deuses.
Abaixo, a versão de Eurides para o encontro com Durval.
“Aquela gravação é de 2006 e está aí o primeiro equívoco porque misturaram a Operação , que é de 2007 para cá. Tanto que o GDF mandou a cópia de todos os contratos que tinham sido feitos desde a criação da Codeplan, em 1991, e o presidente do STJ mandou devolver todos porque era para ficar só de 2007 para cá. Não quero me justificar com isso. O que quero dizer é não houve quebra de decoro parlamentar, porque era antes desse mandato. O que aconteceu naquele mandato, pode acontecer nesse ou em outro, com qualquer candidato. Na campanha de 2006, aliás muito tumultuada, um mesmo grupo político tinha mais de um candidato a governador. Eu e mais alguns colegas, apesar de sermos do PMDB, que fez uma coligação que tinha como candidata a governadora Maria de Lourdes Abadia, apoiamos o candidato de outra coligação. Mas, não faríamos isso sem procurar o partido. Antes de fechar a participação na campanha do então candidato Arruda, eu estive com o governador Roriz na residência dele no Park Way. E eu disse: “Governador, o senhor tem dito, desde o início do ano, que o seu candidato será o que estiver melhor nas pesquisas”. Eu sempre tive uma ligação muito estreita, muito amiga com o governador Roriz. É uma pessoa que eu aprecio. Ninguém pode tirar a marca dele na capital da República. E ele me falou para esperar um pouco, pois que se decidiria por quem estivesse melhor. A convenção do partido foi em 29 de junho de 2006. Ao final de maio ou início de junho, eu o procurei novamente e disse: “Governador, não dá mais para esperar porque todas as minhas lideranças estão indo para campanha de Arruda. O normal é o candidato trazer suas lideranças para adesão”, e conosco acontecia o inverso. O governador me disse que tudo bem. “Vá e quando precisar de mim para qualquer reunião pode me chamar e eu irei”. Ele apenas me pediu para que o nome dele como candidato a senador aparecesse nos meus panfletos, que teriam apenas o nome do meu candidato a deputado federal, que era o Rogério Rosso. Eu disse a ele que colocaria seu nome com muita honra, até pela relação que tínhamos e ele era meu senador. Só não colocaria o da governadora para não dar confusão e ele me pediu que também não colocasse do Arruda. Eu o lembrei que o partido já havia deliberado que se eu continuasse com Arruda não teria horário de televisão, nem de rádio, como realmente não tive. Mas, ele me disse que isso se resolveria mais adiante, pois sua preocupação no momento era outra. Queria que eu fizesse umas reuniões com as minhas lideranças, porque levei muitas lideranças para o governador Roriz, principalmente, da área do magistério e ele se tornou amigo pessoal de muitas delas. Me autorizou a dizer que quando perguntassem quem seria o candidato a governador, que eu dissesse que provavelmente sairiam dois candidatos do grupo de Roriz e que eles ficassem à vontade para escolher, desde que não esquecessem de Roriz para senador. Aí eu falei para ele que seria bom atrair mais gente para essas reuniões explicativas e que seria difícil reunir 200 ou 300 lideranças fora do período de campanha se não fosse como reunião de confraternização, tipo café da manhã, almoço ou galinhada no jantar com grupo musical para animar. Enfim, para deixar o grupo à vontade. Até porque ainda não era campanha eleitoral. Eu não poderia fazer isso sozinha e ele me falou para fazer, pois ele arcaria com as despesas. Entre maio e junho fiz 12 reuniões. Tenho endereços e nomes dos líderes que organizaram as reuniões e vou apresentá-las como testemunhas. Ele não me deu o dinheiro em seguida, de certo por esquecimento e, também, porque eu não cobrei. Após a convenção, voltei a casa do governador Roriz e ele, para surpresa minha, perguntou se eu poderia voltar atrás e fechar com a Maria de Lourdes e eu disse que não daria mais porque fiz tudo como tinha sido combinado. Ele, então me perguntou se já havia rodado o material. Eu respondi que não e ele me disse para não me esquecer de colocar o seu nome. Daí o lembrei que ele não havia pagado ainda o dinheiro das reuniões de esclarecimento das candidaturas ao governo. E que estava me fazendo falta. Ele brincou dizendo que a culpa era minha por não ter lembrado a ele e afirmou que no dia seguinte me pagaria. No dia seguinte, ele mandou me dizer para eu passar no Durval e eu passei e recebi. Todos viram eu entrando no gabinete do Durval e depois voltando para fechar a porta.”

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