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O paraíso das amantes

 

Sakineh Mohammadi Ashtiani, 43 anos, torturada e condenada à morte por suposto adultério

O apelo de Lula ao amigo Ahmadinejad oferecendo abrigo humanitário para a iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, de 43 anos, condenada à morte em razão de suposto adultério, foi o estopim para desencadear uma nova cruzada pelos direitos humanos.

A radiação do discurso do presidente brasileiro feito no sábado (31) viajou pelo campo minado da diplomacia, dos ativistas e da imprensa internacional até chegar aos conservadores de Teerã.

De acordo com o site Free Sakineh, a iraniana pode ser executada a qualquer momento. Condenada em 2006 por ter mantido relações ”ilícitas” com dois homens depois da morte do seu marido, ela recebeu 99 chibatadas. Presa, aguarda o desfecho da última sentença, morte por apedrejamento ou enforcamento como cogitam analistas nos últimos dias, após ter se retratado da confissão feita sob chicotadas.

Ao governo iraniano, Lula “é uma pessoa muito humana e emocional, que provavelmente não recebeu informação suficiente sobre o caso”.

Hoje, em reunião do Mercosul na Argentina, Lula esclareceu que não fez um pedido de asilo. “Acho que o apedrejamento é uma morte tão bárbara que eu disse para ele (Ahmadinejad) que o Brasil receberia essa mulher de braços abertos, e não poderia matar a mulher”, explicou o presidente.

Questionar leis de outros países e, principalmente, do Oriente é algo tão perigoso como defender a política nuclear iraniana, o que Lula também faz.

Mas em relação ao caso de Sakineh, a sentença de morte por adultério deveria provocar indignação universal independente da cultura, religião ou costumes.

Lula e Ahmadinejad em recente visita a Teerã

Lula não quer transformar o Brasil no paraíso das amantes.

O crime de adultério foi extinto no Brasil apenas em 2005! Apesar de, nessa época, já estar em desuso por nossos julgadores, o Código Penal previa detenção de 15 dias a seis meses ao réu e ao co-réu.

Marlon Herath Direitos Humanos , ,

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