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Arquivo de dezembro, 2010

Depois do bafafá, começa limpeza do Parque da Fejão

28, dezembro, 2010

Em regime de mutirão, começou a limpeza do Parque da Fejão em Sobradinho (RS) mostrado aqui em condições precárias. A informação vem do secretário municipal de Indústria e Comércio, Idelfonso Barbosa.

O abandono e o acúmulo de lixo deram o que falar – no blog, na rádio, nas ruas, na Câmara de Vereadores e nos corredores da prefeitura.

O secretário deu esclarecimentos por e-mail.

Vila olímpica
A Vila Olímpica Honório Lazzari foi inaugurada em 17 de Janeiro de 2004 dentro das solenidades que marcaram a 11ª Festa Estadual do Feijão, na administração de Lademiro Dors.
 

Prestes a completar sete anos, o campo de futebol e a pista atlética de seis raias de 400 metros de extensão estão nessas condições.

A vila custou R$ 80 mil, sendo R$ 54 mil do Ministério dos Esportes, por meio de uma emenda do então deputado federal Valdir Schmidt, e R$ 26 mil de contrapartida da prefeitura com pagamento de máquinas e mão de obra.

Administração
Barbosa explicou.

O complexo do Parque Marci Luiz Nardi (FEJÃO) está lotado nesta Secretaria, que, para sua manutenção, necessita da efetiva participação da Secretaria Municipal de Obras (por sinal, neste momento está no local), mesmo porque, a Secretaria da Indústria, Comércio e Turismo, não dispõe de equipamentos e, tampouco de um quadro de pessoal mínimo, que suportasse manter os, aproximadamente, 16 hectares do Parque da FEJÃO.”

Custo
Nesse ano, a prefeitura gastou R$ 101,5 mil com o parque.

“Só em contas de consumo o custo ultrapassou R$ 60 mil. Logo, a “manutenção” da instalações, honorários (dois funcionários efetivos no Parque) e outros, alcançou o valor, aproximado (estamos ainda em 2010), de R$ 40 mil, prossegue Barbosa. 

Cercamento, pórtico e pavimentação 
Desde março, está no Ministério do Turismo o  Projeto/Proposta nº 007998/2010 para ”disciplinar a utilização do Parque da FEJÃO, principalmente por visitantes e/ou estranhos”. 

No valor de R$ 639.518, sendo R$ 29.518 de contrapartida do município, o dinheiro deve permitir – garante Barbosa -, o cercamento do parque, a construção de um pórtico de entrada com cancela  e a pavimentação das ruas internas.

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Marlon Herath Dinheiro público, Esporte, Meio ambiente ,

Peixe-ponte

24, dezembro, 2010

Sobradinho, RS, ponte sobre o arroio Quinca.

Um novo jeito de reformar ponte: faça guardas novas e joque a velha dentro do rio.

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Marlon Herath Dinheiro público

Parque da Fejão: comunidade se manifesta, prefeitura silencia

23, dezembro, 2010

O artigo sobre as condições que encontrei - como visitante – o parque da Fejão em Sobradinho, RS, no contexto da cidade onde é uma das únicas opções públicas de lazer.

Hélio Scherer, www.centroserra.com.br, via e-mail pejor@terra.com.br:

“Como um dos responsáveis pela compra da área do Parque e presidente da 1ª FEJÃO me sinto revoltado com o abandono daquele patrimônio público. Ainda nos tempos do prefeito Gilson Redin sugeri a ocupação permanente com projetos no turno inverso ao das aulas. Voltei ao assunto diversas vezes e até agora nada. Resolvi silenciar e até me afastei como membro nato da FEJÃO.”

Prefeitura

Blog segue à espera de explicações – desde segunda, 20, sobre a administração do parque.

Abandonado, sujo e pedindo socorro

Localizado entre morros de uma das regiões mais bonitas do centro do Rio Grande do Sul, o parque enfrenta o descaso do poder público e a falta de consciência ambiental de moradores.

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Marlon Herath Dinheiro público, Esporte, Meio ambiente

O parque da Fejão

23, dezembro, 2010

Este é um dos únicos espaços públicos para lazer e esporte em Sobradinho, RS.

O Parque da Fejão – onde é realizada a Festa Estadual do Feijão -, recebe os moradores da cidade que buscam uma área verde para descanso e atividade física nos gramados, capões de mata nativa e instalações para churrasco e piqueniques.

A prefeitura deveria ser responsável pela manutenção, mas o abandono é quem dita as regras.

A parte mais ao alto, nos fundos do parque, virou um grande depósito de lixo e entulho.

Na estrada de acesso ao parque – ao lado da cancha reta de cavalos – luvas cirúrgicas abandonadas.

A vila olímpica está destruída. O mato toma conta onde os cavalos-jardineiros não chegam para “cortar” a grama.

Duas goleiras (traves) estão destruídas, completamente enferrujadas e abandonadas à beira do campo.

As churrasqueiras viraram baias.

Os banheiros estão sujos e destruídos.

No riacho perto da capelinha os peixes são as dezenas de garrafas de cerveja jogadas pelos visitantes.

Nas instalações destruídas pelo abandono, muita sujeira como as camisinhas na pia.

É triste ver um dos pontos mais bonitos da cidade onde nasci assim.

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Marlon Herath Dinheiro público, Esporte, Meio ambiente, Sem categoria

“Parlamentar ou para lamentar”, o sermão do bispo no Senado

22, dezembro, 2010

A distinção era inédita.

Cinco brasileiros recebiam a comenda de Direitos Humanos Dom Hélder Câmara no Senado.

Um deles, Manuel Edmilson da Cruz, bispo emérito de Limoeiro do Norte (CE).

E foi este senhor de 86 anos que resolveu exercer o direito dos humanos de reclamar dentro de uma casa tão fora da realidade da Terra.

Homenagens ao povo quando ele quer explicações do aumento de salário dos parlamentares!

Apresentado e premiado, dom Manuel da Cruz saudou o protocolo e começou o sermão.

 

“…

Antes de entrar no assunto propriamente dito, queria confirmar o que disse o senador Inácio em relação à situação do trabalhador sem salário mínimo, porque, a meu ver, isso é um retrocesso comparado ao tempo da escravidão, uma vez que o escravo era alimentado. Ou seja, o patrão, o dono de escravo tinha interesse em alimentá-lo; o escravo era magro de trabalhar, é diferente. Então, é um retrocesso nesse sentido. Não sei se concordam comigo. É uma coisa de fazer muita pena.

Depois, em relação ao nosso dom Hélder e ao que disse o senador José Ney, eu queria dizer que a minha primeira experiência, menino de nove anos, a primeira vez que o Padre Hélder Câmara foi lá na cidade de Acaraú, no norte do Ceará: batina preta, no comício ao integralismo, camisa verde. É impressionante este fato, para dizer que nós não podemos jamais perder a esperança em ninguém, porque esse mesmo Padre Hélder era, antes de tudo, um santo. Ele passava o dia todo ocupado, magrinho como ele era, frágil, humanamente falando. Durante duas horas, todas as madrugadas, ficava diante do Santíssimo Sacramento, em oração, em adoração. Isso marca a personalidade de Dom Hélder.

É este mesmo Dom Hélder que, entre os seus pensamentos, nos deixou este aqui que, para mim, é muito interessante, ajuda muito a viver e a conservar e a alimentar a esperança que Deus nos dá. Ele diz assim, a partir dessas orações das madrugadas: “A criatura é como cana. Mesmo passada pela moenda, mesmo reduzida a bagaço, mesmo desfeita de todo, só sabe dar doçura”. Isto é Dom Hélder.

Agora, meus irmãos, espero ser muito bem entendido no que vou dizer. Eu o faço levado por amor e também por confiança; essa esperança que Deus me ensinou a colocar em todas as pessoas humanas.

A surpresa deste dia chegou aos meus ouvidos à noitinha, quinta-feira, 16 de dezembro, como o alvorecer da aurora e a vibração cantante de um bom-dia.

Mais que surpresa, era como se alguém, de extraordinária generosidade, tivesse enfocado uma libélula projetando a sua leveza e levando-a a atingir as proporções de uma águia ou de um condor.
Passa por esse crivo, caro senador Inácio, o meu agradecimento pessoal, cordial e profundo ao senhor, aos seus ilustres pares, que o apoiaram nesta iniciativa, a todo o Congresso Nacional e às pessoas aqui presentes.

Pensei, em vista dos meus 86 anos, em receber esta honraria por meio de um representante. Mas o Congresso Nacional merece respeito. O verdadeiro Congresso Nacional é sinal de verdadeira democracia.

A honrosa comenda, porém, dos “pais da pátria”, como diriam os romanos patres conscripti, faz-me refletir. Precatórios que se arrastam por décadas; aposentados, idosos com as suas aposentadorias reduzidas, salários mínimos que crescem em ritmo de lesmas… Depois de três meses de reivindicações e greves, os condutores de ônibus do transporte coletivo urbano de Fortaleza, agora, dos cerca de 26% de aumento pretendido, mal conseguiram, a duras penas, pouco mais de 6%, quer para a categoria, quer para o povo, principalmente os pobres da quinta maior cidade do nosso Brasil.

Meus irmãos e irmãs, falo agora de coração com muita fé, sem diminuir o grande respeito que devo a todos, mas falo como irmão e irmã sobretudo, quer dizer, assumindo a alma de todas as pessoas, pois é exatamente nesse momento que o Congresso Nacional aprova o aumento de 61% dos honorários de seus parlamentares que, em poucos minutos, chegam a essa decisão e, ao efeito cascata resultante, a impõem ao povo brasileiro, ao seu, ao nosso povo. O povo brasileiro, hoje de concidadãos e concidadãs, ainda os considera parlamentares? Graças ao bom Deus, há exceções decerto em tudo isso. Mas excetuadas estas, a justiça, a verdade, o pundonor, a dignidade e a altivez do povo brasileiro já tem formado o seu conceito. Quem assim procedeu não é parlamentar. É para lamentar. Prova disto? Colha na Internet. Se o tom se torna como quem está com rancor, não tem rancor nenhum aqui, tem veemência, que é diferente, veemência e amor.

Bem verdade é que a realidade não é assim tão simples, e a desproporção numérica, um dado inarredável. Já existe – e é de uma grandeza bem aventurada – o SUS, o Bolsa Família. Aí estão trinta milhões de brasileiros, que, da linha de pobreza, às vezes até da indigência, alcançaram a classe média – isto é muito bonito. É verdade a atuação do Ministério da Saúde. Existe o Ministério da Integração Nacional. É verdade! Mas não são raros os casos de pacientes que morreram de tanto esperar o tratamento de doença grave, por exemplo, de câncer, marcado para um e até para dois anos após a consulta – disso sou testemunha. Maldita realidade desumana esta, desalmada! Ela já é em si uma maldição. E me faz proclamar em pleno Congresso Nacional, como já o fiz em Assembleia Estadual e em Câmara Municipal: “Quem vota em político corrupto está votando na morte!” Vou falar mais calmo ainda, porque falo por amor: “Quem vota em político corrupto está votando na morte!” Mesmo que ele, paradoxalmente, seja também uma pessoa muito boa, um grande homem. Ainda não do porte de um Nelson Mandela que, ao ser empossado Presidente da República do seu país, reduziu em 50% o valor dos seus honorários.

Senhores e senhoras, sinto-me, primeiro, perplexo; depois, decidido. A comenda hoje outorgada não representa a pessoa do cearense maior que foi Dom Helder Câmara. Não representa. Desfigura-a, porém. Sem ressentimentos e agindo por amor e por respeito a todos os senhores e senhoras, pelos quais oro todos os dias, só me resta uma atitude: recusá-la. (Palmas.). Ela é um atentado, uma afronta ao povo brasileiro, ao cidadão, à cidadã contribuinte para o bem de todos, com o suor de seu rosto e a dignidade de seu trabalho. É seu direito exigir justiça e equidade em se tratando de honorários e de salários também. Se é seu direito e eu aceitar, estou procedendo contra os Direitos Humanos. Perderia todo o sentido este momento histórico. O aumento a ser ajustado deveria guardar sempre a mesma proporção que o aumento do salário mínimo e da aposentadoria. Isso não acontece. O que acontece, repito, é um atentado contra os direitos humanos do nosso povo.
A atitude que acabo de assumir, assumo-a com humildade. Assumo-a com humildade. Sem pretensão a estar dando lições a pessoas tão competentes e tão boas. A todos suplico compreensão e a todos desejo a paz com os meus sinceros votos e uma oração por um abençoado e feliz Natal e um próspero e feliz Ano Novo.

Deus seja bendito para sempre! Muito obrigado. (Palmas.).

José Nery (PSOL-PA)  tentou a diplomacia…

“Meus cumprimentos a dom Manuel Edmilson da Cruz que, coerente com aquilo que pensa e vive, neste momento, adota uma atitude de rejeição ao que fez o Congresso Nacional – reajustar o salário dos parlamentares para o próximo período em 62%.”

O bispo encerrou…

“Minha sugestão é outra: é desfazer o erro quando ele começa. É agora, retrocedendo, como o fez Mandela. O caso dele era muito diferente. Desculpem-me essa insistência. Isso é grito da natureza humana ferida! Não é possível! Deve-se acabar com esse salário do jeito que foi feito, reduzi-lo ao normal, ao correto.”

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Marlon Herath Política