José Alencar, 17/10/1931 a 29/03/2011

Exemplo de coragem.
Aos 79 anos de vida, 13 deles lutando contra o câncer, José Alencar encerra sua jornada.
Mineiro de Muriaé, empresário bem-sucedido, senador e vice-presidente da República.
Crítico da política monetária do presidente Lula, conquistou a admiração dos brasileiros pelos pontos de discórdia e apoio nos oito anos de mandato.
Como poucos, soube separar os negócios da vida pública.
Presidência da República
Veja aqui seu primeiro discurso oficial no exercício da presidência.
Aqui seu último discurso oficial como presidente da República em exercício.
Senado
Veja aqui seu histórico como senador.
Aqui seu primeiro discurso como senador.
Aqui seu último como senador.
Abaixo, o discurso, como vice-presidente, em 2 de fevereiro de 2010, na abertura dos trabalhos legislativos no Congresso.
“Presidente Sarney, apenas para trazer uma palavra de agradecimento a esta Casa.
É claro que, para mim, é motivo de grande honra estar aqui participando da abertura desta 53ª Legislatura. E gostaria muito também de ressaltar o fato de que o Poder Legislativo, onde estamos, tem trazido ímpar contribuição para a consolidação da democracia. Temos acompanhado o trabalho do Poder Judiciário, tendo à frente o Ministro Gilmar Mendes, cujo excepcional trabalho é também de consolidação do regime democrático. Desse modo, realmente estamos vivendo um momento especial no Brasil.
O Presidente Lula tem dado exemplo de como o Presidente da República de um país da importância do Brasil deve agir especialmente nas relações internacionais. E S.Exª tem levantado o nome do Brasil como nunca havíamos assistido antes.
Sendo assim, é muito bom que todos estejamos participando de momento tão importante da vida brasileira como este, em que se consolidam não só a independência como o respeito pelos Poderes da República.
Então, minha palavra é de votos de sucesso para esta Legislatura que se instala.
Gostaria, como não poderia deixar de ser, de registrar um agradecimento especial aos deputados e senadores pela manifestação com que me homenagearam neste Plenário da Câmara dos Deputados. Fico muito honrado com isso.
Fui Senador da República, representando o meu Estado, Minas Gerais. Abri mão de 4 anos do mandato; abdiquei, porque não renunciei – tenho uma certa preocupação com essa palavra. Então, eu abdiquei. E o Carreiro, que era diretor no Senado, devolveu-me a minha carta, dizendo que eu tinha que renunciar, e não abdicar. Então, eu grampeei cópia do Aurélio na carta, e ele aceitou a minha abdicação. (Risos.)
Depois disso, o Presidente Sarney disse que era próprio da Família Real. (Risos.)
Dessa maneira, tenho grande saudade do Legislativo. Já falei ao Presidente Lula que ele, na verdade, deu-me 8 anos de Vice-Presidência da República, porque ninguém vota no vice, mas no titular. Então, sou consciente de que sou Vice‑Presidente da República graças à eleição do Lula. O número que me elegeu foi o 13. Esse mesmo 13 que, no dia 8, homenageia-me em Minas, conferindo-me o título de filiado de honra do partido. (Palmas.)
Vê-se que as coisas estão indo bem.
Sou consciente de que todo o apreço que tenho recebido em toda parte por onde passo no nosso País, essas manifestações maravilhosas, advém da solidariedade pela luta que tenho travado contra uma moléstia pesada, o câncer, durante muitos anos. Já passei por 15 cirurgias. Há realmente essa solidariedade, e eu compreendo. Essa é a razão pela qual não tenho a ilusão de que isso se revele em votos na próxima eleição. Porque, se eu tivesse esse pensamento, confesso que estaria preparado para receber 100% dos votos. (Palmas.)
Então, meus amigos, agradeço muito a vocês.
Se me permitem o presidente José Sarney e o presidente Michel Temer, e eu me permito também, quero falar um pouco, neste momento, de modo especial, sobre a minha saúde.
Como todos sabem, os jornais dão muitas notícias, mas é muito rara a oportunidade que se tem para falar diretamente a respeito do assunto. Costumo dizer que ninguém tem nada a ver com o câncer do José Alencar, mas todo mundo tem a ver com o câncer do Vice-Presidente da República. Isso é um fato. Então, eu tenho sido transparente.
Eu não tenho medo da morte, eu já falei isso. Eu tenho certeza de que vou morrer um dia, como todos nós temos. Se Deus quiser me levar agora, Ele não precisa de câncer para isso. E se Ele não quiser que eu vá, não há câncer que me leve. (Palmas.) E tudo indica que Ele não quer me levar agora. (Palmas.)
Mais uma vez, agradeço muito a vocês. Muito obrigado.”
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