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Arquivo da Categoria ‘Economia’

O álcool, a gasolina e a elevação dos preços dos combustíveis

27, janeiro, 2010

Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Preço médio praticado pelos postos pesquisados em todas as regiões do país.

Apesar da oscilação dos preços do barril de petróleo e da entressafra de cana-de-açúcar entre dezembro e março (a adição de álcool à gasolina modifica o valor final do combustível), o preço da gasolina na bomba ficou estável no balanço dos dois últimos anos. Custou R$ 2,501.

Já o álcool aumentou quatro centavos no comparativo 2008-2009.

O diesel, quase três centavos.

Mas os preços atuais do álcool e gasolina estão bem acima da média.

 

Em janeiro de 2009, o álcool era vendido a R$ 1,513, hoje a R$ 1,948. São 43 centavos a mais por litro! Desde o início do ano não é mais vantajoso abastecer a álcool em praticamente todo o país.

Já a gasolina custava há um ano R$ 2,509. No último levantamento, fechou a R$ 2,585, oito centavos mais cara.

Na próxima segunda (1º/02) passa a valer a redução da mistura de álcool na gasolina de 25% para 20%, anunciada pelo governo. A medida vai ser utilizada por 90 dias até que comece a safra de cana-de-açúcar.

E os preços vão baixar?

Marlon Herath Economia, Sem categoria

O comércio exterior e os velhos problemas brasileiros

5, janeiro, 2010

Ano novo, velhos sintomas dos negócios brasileiros.

Descontemos a crise financeira, o Brasil acentuou as dificuldades para competir no mercado externo.

As vendas de manufaturados, produtos que agregam mais valor como aviões (-28,9%), automóveis (-33,7) e autopeças (-30,3%), caíram 27,3%. Exportadores perderam US$ 26 bilhões.

Os semimanufaturados como celulose (-14,2%) e ferro e aço (-56,2%) também caíram, -23,4% na média. Em compensação, o açúcar foi o principal produto aumentando as vendas externas em 65,8%. Talvez explique porque o preço da gasolina subiu tanto para os brasileiros. Usineiros optaram pelas vendas ”doces” ao estrangeiro.

Os produtos básicos, commodities como minério de ferro (-18,9%), petróleo (-31,7%), carne bovina (-23,6) perderam menos, 14,1% na média. Em termos conjunturais, a soja (5,6%) foi novamente a salvação da lavoura.

Exportações brasileiras

por fator agregado – US$ milhões FOB

exportacoes-2008-2009

Minério de ferro, soja, petróleo e açúcar são nossos principais produtos vendidos no no mercado externo.

No balanço, as exportações brasileiras no ano passado foram US$ 45,69 menores que no ano anterior.

E as importações também encolheram em 2009. Retração de 25,3%, principalmente em produtos como combustíveis e lubrificantes (-46,1%), matérias-primas e intermediários (-27,3%), bens de capital (-16,4%) e bens de consumo (-3,4%).

 Destinos dos produtos tupiniquins

exportacoes-destinos-2008-2009

O comércio com a China avançou apesar da crise (23,1%), mas com exceção da Ásia (5,9%) perdemos terreno no resto do globo, como nos Estados Unidos (-42,4%), América Latina e Caribe (-32,1%) e na União Europeia (-25,8%)

Desceu a ladeira

Além dos dados negativos das exportações em 2009, o saldo comercial está em queda desde 2006. O superávit no ano passado foi de US$ 24,615 bilhões, o menor desde 2003.

Em US$ bilhões FOB. Jan/Dez – 2000 a 2009

exportacoes-graficos-2008-2009

O ritmo das compras cresceu mais que as vendas para o exterior. O que antes se justificava pela necessidade de modernizar o parque industrial, adquirindo maquinário, e ampliando a tecnologia no agronegócio, hoje preocupa pela queda no faturamento.

Investimentos ajudaram a fortalecer a competitividade interna, mas os setores produtivos enfrentam dificuldades no comércio exterior.

Marlon Herath Economia

Verdades sobre o PIB

23, novembro, 2009

Oito estados, SP, RJ, MG, RS, PR, BA, SC e DF, concentram 78,7% do Produto Interno Bruto, de acordo com as contas do IBGE relativas a 2007.

O PIB desse G-8 recuou 2,8% na composição total em relação a 1995.

A pujança econômica continua concentrada no Brasil e em 2007 as regiões Norte e Nordeste não conseguiram seguir o patamar de crescimento do Sudeste e Sul, conforme a tabela abaixo.

O Centro-Oeste registrou o maior crescimento, 6,8%.

Composição do PIB – 2007

Fonte: IBGE

Fonte: IBGE

Em 13 anos, no grupo dos oito, SP, RS e DF perderam participação.

Avaliação das UFs

Leia aqui a análisedo IBGE por estado.

Per capta

O PIB por habitante do Piauí (R$4.662) é nove vezes menor que do Distrito Federal (R$ 40.696).

Dezenove estados, incluindo todos do Nordeste, Norte e Centro-Oeste, estão abaixo da média nacional do PIB per capita que em 2007 chegou a R$ 14.465.

Fonte: IBGE

Fonte: IBGE

 

Participação das regiões e UFs no PIB – 2003-2007

No período de cinco anos, Sul e Centro-Oeste, regiões tradicionais do agronegócio, perderam terreno na composição do PIB nacional.

O Rio Grande do Sul foi o que mais caiu, 7,3% em 2003 para 6,6% em 2007.

Fonte: IBGE
Fonte: IBGE

Participação das atividades econômicas – 2003-2007

Comércio e serviços de manutenção são as atividades que mais cresceram nos negócios.

Agricultura e pecuária, ao contrário, não acompanharam o ritmo e perderam participação.

Indústria da transformação, com leve queda, responde por 17% das riquezas geradas.

Já a máquina pública, representadapela administração, saúde, educação e seguridade social, é a segundaatividade econômica. O setor público representa 15,5% da economia.

Fonte: IBGE

Fonte: IBGE

Marlon Herath Economia

Extorsão legalizada: bancos cobram juros que superam 800%

24, julho, 2009

A queda da taxa Selic para 8,75%, o menor índice da série histórica, traz uma falsa expectativa de que os juros bancários acompanham o declínio da taxa básica.

Em 2009, a Selic já caiu 5% e os mais otimistas acreditam que poderá diminuir ainda quase dois pontos percentuais até o fim do ano.

No entanto, os juros bancários são de furar o olho.

Cheque especial assassino

Observe a taxa de juros do cheque especial para pessoa física dos 36 bancos que operam a modalidade dentro das regras do Banco Central.

Os juros variam de de 20,56% a 180,96% por ano!

A tabela tem as taxas efetivas ao mês, entre 1,57% e 8,99%. Em média, as instituições financeiras cobram 6,34% ao mês, o equivamente a 109,10% ao ano!

Cada tostão tomado com juros do cheque especial terá que pagar mais que o dobro.

É um convite ao caloteduto porque poucos bolsos restarão costurados depois que o cobrador tocar o interfone.

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A queda da taxa Selic para 8,75%, o menor índice da série histórica, traz uma falsa expectativa de que os juros bancários acompanham o declínio da taxa básica.

Em 2009, a Selic já caiu 5% e os mais otimistas acreditam que poderá diminuir ainda quase dois pontos percentuais até o fim do ano.

No entanto, os juros bancários são de furar o olho.

Cheque especial assassino

Observe a taxa de juros do cheque especial para pessoa física dos 36 bancos que operam a modalidade dentro das regras do Banco Central.

Os juros variam de de 20,56% a 180,96% por ano!

A tabela tem as taxas efetivas ao mês, entre 1,57% e 8,99%. Em média, as instituições financeiras cobram 6,34% ao mês, o equivamente a 109,10% ao ano!

Cada tostão tomado com juros do cheque especial terá que pagar mais que o dobro.

É um convite ao caloteduto porque poucos bolsos restarão costurados depois que o cobrador tocar o interfone.

juros-bancarios-emprestimo-pessoal-pessoa-fisica

Marlon Herath Economia ,

Brasileiros pobres trabalham quase o dobro dos ricos para pagar impostos

2, julho, 2009
Os comedores de batata. Van Gogh, 1885

Os comedores de batata. Van Gogh, 1885

Comentário Rádios Santamariense (RS) e Sobradinho (RS)

Brasileiros com renda de até dois salários mínimos precisam trabalhar praticamente o dobro de dias daqueles que recebem mais de 30 salários, apenas para pagar tributos.

São 197 dias por ano para os mais pobres e, bem menos, 106 dias por ano para os mais ricos.

A conclusão de um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mostra que o Brasil faz o inverso do racional. Além de todo mundo pagar muito, cada brasileiro trabalha 132 dias do ano só para bancar os impostos, os mais pobres são os mais atingidos.

ipea-distribuicao-da-carga-tributaria

Os 10% mais pobres destinam 32,8% da escassa renda para o pagamento de tributos, enquanto que para os 10% mais ricos, o ônus estimado é de 22,7% da renda.

A parcela mais pobre da população é também a mais impactada pela fúria da arrecadação porque existem os impostos indiretos no Brasil.

Além de ganhar pouco, os pobres pagam tributos na alimentação, na habitação e no transporte.

Entre os proprietários, os patrões, a incidência de tributos corresponde a 13,6% da renda. Já os empregados destinam 24,4% da renda.

A crise financeira exigiu que o governo reduzisse os impostos para manter empregos, estimular a economia, mas a estrutura tributária não mudou. O governo cobra mais impostos de quem tem menos dinheiro.

Marlon Herath Dinheiro público, Economia

O preço baixo da renúncia fiscal

30, junho, 2009

Empresários batem palmas, consumidores correm às ofertas e a equipe econômica de Lula saboreia o efeito da prorrogação dos impostos reduzidos nos veículos, materiais de construção e eletrodomésticos.

O preço, R$ 3,3 bilhões a menos no cofre do governo em 2009.

A arrecadação também seria menor se não houvesse renúncia fiscal, afinal, as vendas e a produção seriam minguadas.  Sem o movimento do varejo, os tributos de consumo como ICMS e ISS seriam escassos.

Sem o IPI reduzido, o corte do PIS/Cofins, a queda nos juros, a oferta de crédito, o desemprego seria ainda maior. Carteira assinada dá garantia ao trabalhador e contribuição previdenciária ao governo.

Abaixo a conta que o governo faz das medidas.

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Marlon Herath Dinheiro público, Economia, Política ,

Prorrogação do IPI reduzido: Yes, We can!

29, junho, 2009

Comentário Rádios Santamariense (RS) e Sobradinho (RS)

O governo anuncia hoje se prorroga a redução do IPI sobre veículos iniciada em dezembro. Na semana passada, o próprio presidente Lula, que defendeu recentemente a redução permanente do imposto, sinalizou que o IPI reduzido pode continuar.

Desde o fim do ano passado, os preços dos veículos tiveram queda entre 5% e 7%.

Se não ocorrer a prorrogação, há outras duas possibilidades, segundo especialistas. Estender com redução gradativa ou encerrar o benefício que foi criado em função da crise mundial, conseguindo manter empregos, produção e vendas de carros e motos.

Nos carros mil, o IPI caiu de 7% para zero. Para automóveis entre mil e duas mil cilindradas a gasolina a redução foi de 13% para 6,5%. Já para os carros flex e a álcool, a alíquota caiu de 11% para 5,5%.

O corte de impostos também beneficiou setores como a construção civil e o comércio varejista.

A redução do IPI dos eletrodomésticos fez as vendas crescer 30% em maio e o governo pode manter o imposto reduzido. A previsão era acabar na segunda semana de julho.

Na arrecadação, a cobrança do IPI teve queda de mais de R$ 500 milhões, mas o governo aqueceu o mercado interno, compensou a queda nas exportações e encheu o bolso com outros tributos agregados à retomada das compras pelo brasileiro.

A redução da taxa básica de juros também colabora.

Esta segunda-feira começa com uma reunião entre o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente Lula. Depois virá o anúncio e, na sequência, quem sabe, a festa da indústria e do varejo.

Marlon Herath Economia, Política ,

PIB, juros e avaliação do governo

10, junho, 2009

Comentário Rádios Santamariense (RS) e Sobradinho (RS)

Analisa a queda do PIB, a avaliação de Lula e o desafio de baixar os juros.

A tendência é de manter a queda. O Comitê de Política Monetária do Banco Central deve reduzir hoje a taxa Selic em 0,75% segundo especialistas. A taxa básica cairia para 9,5% ao ano, muito inferior aos juros reais que precisam com urgência cair na real. Aliás, a CEF anunciou cortes nos juros cobrados de empresas e correntistas a partir de segunda-feira. Há uma pequena redução também nos juros dos financiamentos imobiliários. Ainda assim, seguem altos para a situação atual da economia.

Marlon Herath Economia, Política ,

Petrobras reduz custo dos combustíveis e governo aumenta tributo

9, junho, 2009

Comentário Rádios Santamariense (RS) e Sobradinho (RS)

O governo não perdeu a oportunidade. A Petrobras anunciou a redução do preço da gasolina em 4,5% e o governo tratou de elevar em 5 centavos a Cide, o tributo sobre os combustíveis. Por isso, o preço da gasolina para o consumidor não muda.

Já o diesel cai 15% nas refinarias, mas o governo vai aumentar a Cide em 4 centavos. Para o motorista, a previsão é que o valor na bomba seja 9,6% menor.

Atualmente o custo do óleo é um dos principais entraves para o transporte rodoviário, principalmente o de cargas, que também sente os efeitos da crise financeira com a redução das exportações.

Fábricas sofreram redução de pedidos, transportadoras perderam cargas e os caminhoneiros viram o preço do frete despencar, além do diesel consumir até 60% do faturamento do caminhão.

Atualmente, o litro do diesel no Rio Grande do Sul custa em média R$ 2,18. Em abril do ano passado, não passava de R$ 1,90, antes de ter subido 15% mesmo índice que agora está sendo cortado.

Além do governo retomar o que cobrava nessa época, de 3 para 7 centavos da Cide no diesel; a elevação na gasolina, de 18 para 23 centavos, vai aumentar a arrecadação. O tributo deve somar mais de R$ 2,5 bilhões por ano ao bolo de mais de R$ 4 bilhões. Parte desse dinheiro irá para os cofres dos estados e municípios.

O presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, disse que a redução do custo dos combustíveis se deve a estabilidade do preço do petróleo no mercado internacional. Em 2008, o barril chegou a 140 dólares, o dobro da cotação atual.
Uma nova queda dependerá do comportamento externo.

E além de aumentar a arrecadação sobre os combustíveis, o governo já conta os dias para retomar a cobrança do IPI sobre veículos. A diminuição termina em 30 de junho e não deve ser novamente prorrogada. A produção de automóveis atingiu praticamente os mesmos níveis do ano passado.

Portanto, daqui pra frente, não há qualquer indicativo de queda nos impostos, sai a redução e volta a fúria arrecadatória do governo.

Marlon Herath Economia, Política

Brasileiro trabalha 147 dias no ano só para pagar tributos

27, maio, 2009

Se você acordou nesta quarta-feira, 27 de maio, com os tributos em dia, comemore!

Seu bolso quase furou, mas seus salários – de janeiro até agora, exatos 147 dias -, equivalem ao total que você vai pagar em 2009 em impostos, taxas e contribuições exigidos pelos governos federal, estadual e municipal.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), o brasileiro tem que trabalhar 4 meses e 27 dias somente para pagar a carga tributária deste ano.

São dezenas de tributos como IR, INSS, PIS, COFINS, ICMS, IPI, ISS, IPTU, IPVA, ITCMD, ITBI, ITR, limpeza pública, coleta de lixo, emissão de documentos e iluminação pública.

Pense que você superou o 147 (lembra daquele Fiat?) e avalie os serviços que recebe – custeados com os impostos pagos – de sua prefeitura (pavimentação e limpeza de ruas, saneamento básico, escolas), do governo de seu estado (estradas, hospitais, policiamento, educação), do governo federal (rodovias, universidades, saúde, benefícios da Previdência Social).

Diferença na somatória dos dias é devido ao arredondamento dos resultados. Fonte: IBPT

Diferença na somatória dos dias é devido ao arredondamento dos resultados. Fonte: IBPT

Portanto, a partir de amanhã você pode pensar em ficar com algum tostão no bolso sem entregá-lo para o governo.

Em 2003, do seu rendimento bruto o contribuinte brasileiro teve que destinar em média 36,98% para pagar a tributação sobre os rendimentos, consumo, patrimônio e outros. Em 2004 comprometeu 37,81%, em 2005 destinou 38,35%, em 2006 destinou 39,72%, em 2007 comprometeu 40,01%, em 2008 destinou 40,51% e em 2009 comprometerá 40,15% do seu rendimento bruto.

Hoje se trabalha o dobro do que se trabalhava na década de 70 para pagar a tributação

  • Década de 70: 76 dias
  • Década de 80: 77 dias
  • Década de 90: 102 dias
  • Ano de 2009: 147 dias

O brasileiro trabalha mais dias para pagar tributos do que espanhois e americanos

  1. Suécia = 185 dias
  2. França = 149 dias
  3. Espanha = 137 dias
  4. EUA = 102 dias
  5. Argentina = 97 dias
  6. Chile = 92 dias
  7. México = 91 dias

Marlon Herath Dinheiro público, Economia