Grampo na conversa
Comentário Rádio Santamariense (19/11)
Diminuiu o número de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça no Brasil. A tendência de redução dos pedidos de grampo encaminhados pela polícia e pelo Ministério Público à Justiça foi confirmada pelo ministro Gilson Dipp. O corregedor nacional da Justiça confirmou que os juízes também estão autorizando menos.
Levantamento do Conselho Nacional de Justiça aponta que 12.210 telefones estão sendo monitorados no país, com autorização judicial, e a maioria de pessoas envolvidas com o tráfico de drogas. O resultado é bem menor que as 30 mil interceptações por mês em 2007, de acordo com informações das companhias telefônicas prestadas à CPI dos Grampos.
No levantamento da Justiça, faltam números de cinco estados, entre eles, São Paulo. “São números razoáveis para o tamanho do Brasil”, disse o ministro Gilson Dipp ao sinalizar que as orientações do Conselho determinaram que os juízes atuem com mais cuidado, prudência, de maneira mais comedida. Essas três características, ditas pelo ministro, são efeitos da resolução editada em setembro que tornou mais rígida a autorização de escutas telefônicas.
Tomara que sejam cautelosos, mas que as investigações legalmente autorizadas não sejam inibidas. Aliás, o procurador-geral da República questiona a medida no Supremo Tribunal Federal.
Voltando um pouco, a polêmica dos grampos começou com a Operação Satiagraha da Polícia Federal, as suspeitas de vazamento de informações e de espionagem ilegal que chegou à cúpula do judiciário. O gabinete do presidente do STF, Gilmar Mendes, pode ter sido grampeado.
O juiz Fausto de Sanctis, que entre outras decisões ordenou a prisão do banqueiro Daniel Dantas, está por ser julgado pelo Conselho Nacional de Justiça. O juiz teria distribuído a policiais federais senhas que dão acesso a cadastros de ligações telefônicas durante a operação. O mesmo juiz desistiu nessa terça de se candidatar a uma vaga de desembargador do Tribunal Regional Federal de São Paulo. Em nota, ele citou o trabalho que faz para justificar o ato.

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