Empréstimos aos aposentados
Comentário Rádio Santamariense, 7h20
Uma boa notícia aos aposentados. O INSS vai cancelar descontos não-autorizados sobre a aposentadoria. A mudança foi determinada pela Justiça Federal no Pará a partir de ação civil pública para impedir prejuízos a vítimas de fraudes com empréstimos consignados. A decisão vale para todo o país. Ainda assim, o aposentado deve conferir mensalmente o dinheiro que tem a receber e se os descontos foram de fato solicitados. O aposentado ou pensionista que denunciar, por escrito, fraude no seu benefício terá o desconto suspenso até decisão administrativa definitiva no INSS.
Antes, os descontos eram feitos enquanto os segurados esperavam o fim do processo administrativo. Em muitos casos, esses descontos só eram cancelados por força de decisão na Justiça Isso gastava tempo, dinheiro e paciência. E as fraudes ocorrem de norte a sul. Instituições financeiras e golpistas descobrem os dados do beneficiário e montam um esquema para lançar os descontos em folha.
O empréstimo consignado foi criado para facilitar o crédito aos míseros benefícios da Previdência. Em muitos casos, acaba virando uma dor de cabeça.
Só em setembro, as operações de crédito consignado utilizaram R$ 172 milhões. 36% são contratadas para serem quitadas entre 31 e 36 meses. Outros 36% dos aposentados e pensionistas acham mais vantajoso liquidá-las em até seis parcelas. Dados da Previdência mostram também que o aposentado toma emprestado, em média, R$ 1.577, que salda em 33 parcelas de R$ 78,55. E os beneficiários que recebem até um salário mínimo são responsáveis por 60% das operações.
O aposentado deve desconfiar dos anúncios de dinheiro fácil nos classificados de jornais, nas propagandas de rua. Conferir se a instituição que oferece o empréstimo funciona em endereço fixo e oferece contratos com regras claras. Além disso, é importante ter certeza de que poderá quitar o empréstimo, sob pena de ter de pagar juros altos ou ficar endividado. O próprio INSS editou normas para reduzir o endividamento. Entre as medidas, o limite de crédito no cartão foi reduzido de três para duas vezes o valor do benefício. A margem de desconto também não pode ultrapassar 20% da renda. Se o benefício corresponde ao salário mínimo, por exemplo, pagar mais de R$ 80 por mês significa comprometer outras despesas daquele dinheiro como alimentos e remédios.
Por isso, atenção na hora de obter empréstimo e mais ainda, saber se lá na frente não restará dívida.

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