Deputado apresenta proposta do terceiro mandato
Presidente da República, governadores e prefeitos poderão ser eleitos por até dois períodos imediatamente subsequentes.
A síntese da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) institui o terceiro mandato no Brasil – caso seja aprovado no Congresso. Antes, porém, teria que passar por um referendo popular em setembro. O autor da PEC, Jackson Barreto (PMDB-SE) promete protocolar a proposta ainda hoje na Câmara. O requerimento, segundo ele, tem 192 assinaturas de parlamentares de todos os partidos, mas nenhuma de líder partidário.
“É uma questão que deixa a oposição ao governo Lula muito ouriçada”, afirma o deputado que corre contra o tempo para a emenda valer já em 2010. Ele acredita que se houver vontade política, haverá prazo.
A ideia já recebeu críticas dos presidentes do STF e TSE e, publicamente, nunca teve apoio de Lula que confia na manutenção da candidatura de Dilma em 2010.
Ao defender a permanência de Lula no poder, Jackson Barreto se apoia no que o presidente fez até agora, principalmente para a região Nordeste que “levantou a auto-estima do povo nordestino.”
O autor da PEC se declara um “cidadão do mundo” e diz que segue a cantoria de Geraldo Vandré: “Quem sabe faz a hora não espera acontecer”.
Acompanhe a entrevista ao blog.
Como o senhor preparou a PEC?
Nós coletamos as assinaturas até o final de abril. Em seguida veio o anúncio da doença da ministra [Dilma], dei uma recuada e agora novamente ampliou-se essa discussão sobre o caso de saúde da ministra e eu, por uma questão ética, preferi não protocolar antes do final de maio. A proposta prevê o referendo popular e admite o terceiro mandato.
A apresentação da proposta precisa de 171 assinaturas. O senhor tem quantas?
Cento e noventa e duas. São deputados de todos os partidos, prefiro não citar nomes.
Existem sempre essas pressões, é uma questão que deixa a oposição ao governo Lula muito “ouriçada” porque se sabe que politicamente seria uma disputa muito complicada.
Inclusive na oposição?
Tem, tem assinaturas. Eu não sem como essas pessoas vão se comportar depois quando a emenda for protocolada, vir a público. Existem sempre essas pressões, é uma questão que deixa a oposição ao governo Lula muito “ouriçada” porque se sabe que politicamente seria uma disputa muito complicada. Mas tenho o número exigido por lei.
Por que o terceiro mandato?
Um deputado reflete o pensamento de suas bases e o sentimento de seu povo. Eu sou nordestino, sou sergipano e eu sinto o desejo e a ansiedade das minhas bases políticas de criar as condições para que Lula continue governando o país na orientação que ele vem dando a política econômica, credibilidade no país no exterior, tudo o que ele fez em favor do nordeste, levantou a auto-estima do povo nordestino, melhorou o IDH, as condições de vida da população e eu não falo apenas do Bolsa Família, mas de obras estruturantes como o PAC, Luz para Todos, agricultura familiar, ProUni, ampliação das escolas técnicas profissionais. Nunca se fez tanto pelo Nordeste como o governo de Lula.
Quando Fernando Henrique Cardoso bancou pelo preço e custo que teve a reeleição dele não se discutiu a reeleição dele, não se discutiu um referendo popular e nem por isso se agrediu a democracia. A emenda que vou apresentar prevê o referendo, nada mais democrático que o povo dizer se quer ou se não quer um terceiro mandato.
Permitir que governantes cheguem a até 12 anos consecutivos de mandato, isso não vai contra a democracia?
Não concordo. Porque se formos olhar a história do mundo, quantos anos Winston Churchill governou a Inglaterra? A Margaret Thatcher? Sei que foram mais de oito anos. [Churchill foi primeiro ministro entre 1940 e 1945, e 1951 e 1955; Thatcher, entre 1979 e 1990]. No entanto, a Inglaterra se coloca para o mundo como um exemplo de democracia.
Quando você faz um referendo popular e governa o país como governa o presidente Lula, eu acho que não dá nenhum risco à democracia. Muitas vezes determinadas emendas e projetos atentam mais contra a democracia do que esta que deixa muito claro o jogo. Quando Fernando Henrique Cardoso bancou pelo preço e custo que teve a reeleição dele não se discutiu a reeleição dele, não se discutiu um referendo popular e nem por isso se agrediu a democracia. A emenda que vou apresentar prevê o referendo, nada mais democrático que o povo dizer se quer ou se não quer um terceiro mandato.
Haverá tempo para a tramitação do projeto?
O prazo é pequeno. Nessa Casa, as coisas funcionam dependendo da vontade política. Se tiver que acontecer, prazo existe porque tem o regimento e se amanhã – ah, o prazo é curto. Você dispensa os prazos regimentais e as coisas tramitam e funcionam normalmente. Prazo existe, basta ter vontade política.
Líderes como Ricardo Berzoini, presidente do PT são contra a proposta, inclusive o seu, Henrique Alves, líder do PMDB.
Sei, mas eu não vou orientar o meu comportamento pela vontade do meu líder e pela vontade do líder do PT. Eu estou usando as minhas prerrogativas enquanto parlamentar. Eu tenho esse direito, esse poder. Amanhã, quem for contra vote contra e derrote ou aprove. É o processo democrático.
Neste momento não estou defendendo interesses de ninguém a não ser da minha da minha consciência, da minha cabeça, do meu comportamento e da minha história. Segundo, não tenho nenhuma diretoria dos órgãos do governo indicada por Jackson Barreto. Terceiro, não indiquei nenhum cargo no governo, nenhum ministério tem indicação minha, então eu não estou aqui defendendo interesses.
Sou funcionário público aposentado. De sorte que eu sou um cidadão do mundo. E o projeto eu sigo aquela máxima de Vandré: “Quem sabe faz a hora não espera acontecer”. Quem quiser discutir uma tese, vamos discutir.
PEC do terceiro mandato
Acesse o texto aqui.



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