
Arruda recebendo o “remedinho” no divã de Durval. A prisão do governador na realidade político-judiciária brasileira, nem Freud explica.
O governador Arruda não comeu, não dormiu e está sofrendo muito – relatou o coronel Ivan Gonçalves da Rocha, chefe da Casa Militar do GDF, ao concluir a visita ao preso na Superintendência da Polícia Federal.
José Roberto Arruda está preso, mas não se sabe por quanto tempo ficará de pé a preventiva em vista do afloramento das brotoejas da corte suprema em casos passados para livrar autoridades das grades.
Arruda poucas vezes perdeu o sono e o apetite nos 56 anos de uma vida marcada pela ascensão e queda.
Como senador, envolveu-se no escândalo da violação do painel eletrônico em 2001. Negou as acusações em discurso raivoso, mas pouco depois admitiu a culpa, chorou, pediu desculpas e renunciou ao mandato para evitar o processo de cassação que já tolhia o colega e amigo Luís Estevão.
No ano seguinte, conseguiu – por omissão, complacência ou paixão dos eleitores -, o perdão das urnas. Elegeu-se o deputado federal mais votado do Distrito Federal e, proporcionalmente, do país.
No vai-e-vem dos arranjos eleitorais, começou no colo de Joaquim Roriz, um político da era de Paulo Maluf e ACM.
A sangria da jugular começou em 2006. Ainda nas garras do governo Roriz, foi sendo gravado no BBB do Mensalão do DEM pelas lentes ocultas de Durval Barbosa.
Virou governador, manteve os aliados de Roriz e construiu, contrato a contrato, um império de obras e serviços com empresas suspeitas de pagamento de propina.
A base de apoio teria sido regada por mesadas do suposto esquema de corrupção, de acordo com as apurações do Inquérito da Caixa de Pandora.
Ministério Público Federal e Polícia Federal juntam as peças. Arruda e aliados tentam soldar os cacos. Mais dinheiro compraria o depoimento de Edson Sombra que, inspirado na videoteca de Durval, colaborou para gravar uma tentativa de suborno.
O pedido de prisão do Ministério Público Federal foi acatado pelo ministro do STJ, Fernando Gonçalves, e ratificado por 12 votos a 2 na corte especial.
A ordem pública e o curso das investigações devem ser mantidos, entendeu o judiciário ao impedir a corrupção de testemunha, prender Arruda e afastá-lo do cargo.
A Justiça passou por cima da letargia do Legislativo, dominado pelos aliados do governador, preocupados em manter o osso ao contrário das balelas sobre governabilidade que destilam aos quatro cantos.
Marlon Herath Corrupção, Justiça, Política Arruda, Mensalão do DEM
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