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Textos com Etiquetas ‘Desemprego no Brasil’

Águas de março fechando o desemprego

20, janeiro, 2009

Comentário Rádio Santamariense, 7h20

Os números do desemprego brasileiro em dezembro, 655 mil postos de trabalho fechados, são tão ruins quanto os americanos. Se atingimos uma situação negativa como nos Estados Unidos, o olho do furacão, é porque os efeitos da crise financeira internacional foram mal mensuradaos no Brasil.

Mesmo com as demissões de trabalhadores temporários, que ocorrem no fim do ano, os números alertam para o que vem pela frente.

Em Minas Gerais, há filas desde a madrugada para conseguir seguro-desemprego nas agências de trabalho, em São Paulo, empresários sugerem cortar salários e reduzir a jornada de trabalho sem garantia de manter os postos.

Em Santa Maria, foram 573 empregos a menos no saldo de dezembro, mais que o dobro de 2007. As demissões também foram elevadas em Pelotas, Canoas e Santa Cruz do Sul. Mas ninguém demitiu mais que Caxias, 3.223 postos a menos, corte puxado pelas indústrias. O desemprego na serra foi maior que na capital.

Esses números correspondem à realidade do trabalho com carteira assinada. Possivelmente os bicos, o subemprego aumentou em dezembro.

Agora o governo. O ministro do Trabalho Carlos Lupi reafirmou que o mercado volta a contratar em março. Se a previsão estiver certa, teremos ainda dois longos meses de desemprego. Resta saber se esse prazo será suficiente para as indústrias, a construção civil, os serviços saírem da UTI. E o comércio respirar -caso os assalariados recuperem o fôlego.

Como canta Tom Jobim em “Águas de março”:

É pau, é pedra
É o fim do caminho
É um resto de toco
É um pouco sozinho

Marlon Herath Trabalho

Caridade na crise

14, janeiro, 2009

Comentário Rádio Santamariense, 7h20

Superar com folga 300 mil demissões de trabalhadores em dezembro no país. Este é o temor do governo depois que o IBGE registrou o maior recuo no emprego na indústria desde 2003. O presidente Lula convocou o ministro do Trabalho para uma reunião com a equipe política. Carlos Lupi não tinha dados recentes, prometeu apresentar as informações do CAGED na segunda-feira.

Em novembro foram quase 41 mil demissões. No mesmo período de 2007, o saldo positivo foi de 124 mil postos de trabalho. Por isso, a tendência é de queda acentuada devido à crise financeira.

As ações tomadas pela equipe econômica só devem ter efeito de recuperação nas contratações a partir de março, admitiu o ministro.

E o governo estuda adotar medidas para as empresas que tomarem financiamentos com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Uma contrapartida: a manutenção dos empregos. As que não cumprirem essa exigência podem perder novos empréstimos.

Uma pretensão social, um ato de estender a mão, que os empresários torcem o nariz.

Produção e vendas menores não combinam com manutenção dos empregos na economia atual. É preciso manter o lucro, mesmo que escasso. Podemos ser contra o modelo, mas é a prática do dia-a-dia, do mercadinho à indústria de automóveis. Esta mesma que ganhou redução de IPI e continua demitindo. Só ontem mais de setecentos funcionários foram mandados embora na GM em São Paulo.

Marlon Herath Economia, Trabalho