
Milagre de S. Francisco Xavier, 1619. Igreja de S. Roque, Lisboa, Portugal
Comentário Rádios Santamariense (RS) e Sobradinho (RS)
O presidente Lula mandou um recado aos prefeitos que reclamam da queda dos repasses do fundo de participação. Todos terão que apertar o cinto, ao se referir à queda na arrecadação de impostos com as desonerações e a crise financeira.
E as perdas nos três meses já chegam a R$ 8,1 bilhões. A estimativa da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) compara o repasse do Fundo de Participação de Municípios com o valor previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA).
No discurso em Montes Claros (Minas Gerais), Lula disse que o governo tem “consciência de que se a prefeitura for mal, [...] se ela não tiver dinheiro, a primeira coisa que vai acontecer é o corte no salário dos funcionários da prefeitura.”
E Lula continuou falando. “A segunda coisa que vai acontecer é começar a piorar a qualidade da educação, a qualidade da saúde. A terceira coisa que vai acontecer é que o prefeito não vai ter obra, nem para fazer uma manilha, nada”. O presidente sabe as consequências, mas não deu o remédio.
Sem esclarecer quais saídas o governo poderá anunciar, Lula apenas confirmou encontro com prefeitos esta semana.
Em Minas Gerais, prefeitos organizam protesto para o dia 15 de abril. Prometem fechar as portas das 853 prefeituras. Uma atitude errada. Estarão prejudicando os próprios moradores que enfrentam efeitos da crise ainda piores como o desemprego.
Já a redução de tributos federais como IPI sobre automóveis recuperou as vendas e manteve a maioria dos empregos no setor. A produção de veículos cresceu 34,2% em março em relação a fevereiro. Na comparação com março de 2008, caiu apenas 4%. Impostos mais baixos também devem melhorar a construção civil. O governo ajudou os setores mais representativos, mas as ações não poderiam arruinar os menores orçamentos. Pequenos municípios e estados onde os repasses federais representam o maná nos cofres rapados.
De Norte a Sul, prefeitos esperam que o governo compense as perdas desde o início da crise. Pode ser uma forma de socorro, admitiu o presidente, mas será não um milagre. Por isso, é bom que prefeitos e secretários municipais coloquem os pés no chão, cortem gastos, reduzam custos e andem na linha com a prestação de contas.
Marlon Herath Economia, Política Crise financeira, FPM
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