Sujeira e limpeza
Comentário Rádio Santamariense, 7h20
As votações no Senado estão paradas, mas os bastidores atuam como nunca. Principalmente os caciques dos partidos puxando o tapete de quem ousa criticar a situação atual.
Na Comissão de Constituição e Justiça, Renan Calheiros, líder do PMDB, retirou da comissão o senador Jarbas Vasconcelos, que há poucos dias, botou pra fora os podres do partido e do Senado.
Na Comissão de Infraestrutura, o senador petista Aluízio Mercadante denunciou que a composição está sendo alterada para tentar garantir a eleição de Fernando Collor (PTB-AL). Ele mesmo. Renan Calheiros retirou da comissão os senadores Romero Jucá (RR), Valdir Raupp (RO), Leomar Quintanilha (TO) e Valter Pereira (MS) e colocou outros.
Com as manobras ocorrendo e já faltando tapete para ser puxado, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) foi para a tribuna dizendo estar pasmo, sem nenhum prazer de estar ali. Palavras do líder tucano:
- Se isso aqui é a vida política daqui pra frente, eu vou ficar muito em dúvida se continuo nisso. Será que eu não tenho nada pra fazer do que ficar aqui ouvindo discurso e escândalo, um atrás do outro, sem que a gente consiga dar respostas altura do que a nação pede? Se isto é vida pública daqui pra frente eu não quero mais proximidade disso não.
Virgílio ainda chamou o Senado de medíocre, chato, beirando o grotesco e o ridículo. Depois foi a vez de Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE).
- O poder pelo poder leva ao quadro político degenerado que hoje vivemos no nosso País, no qual a esperteza é mais valorizada do que a inteligência e a correção ética.
Do Senado para o tribunal, já passava da meia-noite quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassava o mandato do segundo governador em menos de um mês. Jackson Lago (PDT), do Maranhão. Ele e o vice foram condenados por compra de votos. Em fevereiro, Cássio Cunha Lima (PSDB) deixava o governo da Paraíba.
Um dia marcado pela sujeira e uma noite de limpeza em parte da política brasileira.

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