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A amnésia de Lina e a penumbra do gabinete de Dilma

18, agosto, 2009

Não lembrou hora, dia, semana nem o mês, mas insistiu que houve a agenda no Palácio do Planalto entre ela e a ministra da Casa Civil.

A ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, deu alguns detalhes sobre o suposto encontro com Dilma Rousseff, quando interpelada pelo líder do Democratas, José Agripino.

Dilma nega o encontro. Quem fala a verdade?

O senador começou assim:

- Se lembra se foi na primeira semana, na segunda, na terceira, na quarta semana do mês de dezembro?

Lina:

- Senador, eu já tentei bastante me lembrar desde que tudo isso começou pela imprensa. Fiz um esforço de memória, mas o que eu me lembro foi o que eu relatei aqui. Eu não posso precisar o dia, eu saí da Receita Federal num carro oficial que é destinado ao secretário da Receita Federal, é um carro específico que tem placa específica. O motorista que é terceirizado lá no Ministério da Fazenda me levou ao prédio do palácio do Planalto, eu entrei pela garagem…

Fiz um esforço de memória, mas o que eu me lembro foi o que eu relatei aqui. Eu não posso precisar o dia.

- Lembra o nome do motorista? Indaga Agripino.

- Tem o que trabalha pela manhã, o que trabalha à tarde, nós temos os nomes dos motoristas, nós temos as placas do carro. Entrei pela garagem, tinha uma pessoa que fica no birô ali na entrada pela garagem, passei por essa pessoa, passei pelo detector de metais, peguei o elevador, subi ao quarto andar. No quarto andar, saí do elevador, subi sozinha nesse elevador, e fiquei procurando porque não sabia onde é a sala. Foi aí que veio a Erenice [Erenice Guerra, secretária-executiva da Casa Civil], tem uma salinha…

- A Erenice apareceu?

- Ela apareceu. Nessa salinha eu fiquei aguardando a ministra me atender, tinham duas pessoas lá. Me sentei, tomei água, tomei café, enquanto aguardava.

- Essas pessoas eram dois homens ou era um homem e uma mulher?

- Era um homem e uma mulher, eu não sei o nome das pessoas, eu não anotei nada. Aí saí de lá. Pela Erenice fui conduzida ao gabinete da ministra, como eu disse foi muito rápido o encontro.

- Como é o gabinete da ministra, doutora?

- Pois é, foi muito rápido esse encontro, eu não me ative aos detalhes do gabinete da ministra. As mesas se eram móveis antigos, se eram móveis modernos, porque efetivamente foi muito rápido. Eu só notei que era uma sala meio que em penumbra, não estava bem iluminada e a ministra estava com um xale. Por que que eu notei esse xale? Porque é diferente, geralmente nós que trabalhamos usamos um terninho, uma coisa mais prática, e ela estava com uma blusa, em cima da blusa um xale, achei até muito bonito e conversamos ali rapidamente e eu saí e fui embora. Retornei para a Receita.

Eu só notei que era uma sala meio que em penumbra, não estava bem iluminada e a ministra estava com um xale.

- Ela tava apressada?

- É, eu notei que ela estava, não sei se era outra reunião, se era o quê, viagem, não sei o que era, mas o encontro foi muito rápido já também por isso.

- O tom em que ela solicitou a Vossa Senhoria para agilizar os procedimentos, que significa encerrar, era um tom ameno ou normal ou era um tom meio impositivo?

- Não, era um tom ameno.

- Era um tom ameno? Insiste o senador.

- Era um tom ameno.

- Vossa Senhoria que supõe que pelas circunstâncias essa agilização como não era um fato normal significava na verdade encerrar?

- Eu entendi, eu interpretei assim. Eu não sabia do caso porque eu não sabia o assunto que seria tratado lá. Quando ela me perguntou eu disse. Olha, eu vou verificar, não sei qual é a dificuldade para agilizar a fiscalização e disse, tá bom, ministra, tá certo, até logo… Voltei pra Receita e na Receita fui verificar o que tinha. Tava tudo tramitando normalmente com determinação judicial sendo cumprida, deixei tocar e não dei qualquer retorno pra ministra. É bom também que lembre, senador, eu nunca dei retorno a ela, mas também nunca fui cobrada.

- Mas foi claramente falado o processo do filho do senador Sarney?

- Ela pediu que agilizasse a fiscalização do filho de Sarney. Retornei pra Receita, levantei as apurações, tava ocorrendo tudo normal como a Receita faz com seus critérios impessoais e objetivos de fiscalização, por determinação judicial correndo em segredo de Justiça. Não dei retorno a ninguém, não conversei desse assunto com ninguém nem com meus familiares, não dei retorno mas também nunca fui cobrada por este assunto.

Ela pediu que agilizasse a fiscalização do filho de Sarney.

Marlon Herath Política ,

Lina precisa ir além do chororô

18, agosto, 2009

O blá-blá-blá de números, méritos nas gestões por onde passou do Rio Grande do Norte a Brasília, medidas adotadas para melhorar a Receita Federal demonstram que Lina Vieira está, sim, magoada por ser demitida, embora diga que não.

Quem gosta de ser demitido? Soa incompetente.

Dúvidas das suposições

  • Data e hora da reunião com Dilma;
  • Sendo Mantega o chefe dela, ele sabia do pedido da colega da Casa Civil?
  • Pode provar que o pedido não interferiu nas investigações contra os negócios da família Sarney?
  • O que Lina sabe sobre as operações suspeitas da Petrobras?

Marlon Herath Política ,

Depoimento de Lina Vieira no Senado pelo Twitter

18, agosto, 2009

Acompanhem a cobertura do blog do depoimento da ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, pelo www.twitter.com/blogdomarlon.

Lina vai falar sobre o suposto encontro com Dilma Rousseff no fim de 2008 quando a ministra teria pedido para “agilizar” a investigação da Receita nos negócios da família Sarney.

Depois de demitida do órgão, a ex-secretária disse que entendeu que deveria encerrar a devassa fiscal nas empresas, o que, segundo ela, não foi levado a cabo.

Dilma negou as acusações, Lula pediu para apresentarem as agendas e o episódio está por ser apurado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

Marlon Herath Política , ,