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Textos com Etiquetas ‘Lula’

Lula e a infertilidade da oposição

26, novembro, 2009

Manaus. Lula no palanque para inaugurar uma estação do gasoduto Urucu-Coari-Manaus.

Do discurso, a idiossincrasia do presidente.

Oposição azeda e infértil

“Mas as pessoas não se conformam de a gente estar aqui inaugurando o gasoduto, porque tem gente que é tão azeda, tem gente que é tão invejosa, tem gente que torce tanto para as coisas darem certo [esqueceu-se do não!], que é como se fosse um casal que não tem filhos, em vez de procurar um médico para tentarem se tratar e ter um filho, eles ficam olhando o casal vizinho e, quando o casal vizinho tem um filho, eles falam: “tudo bem, nasceu, mas nem falar, fala, só chora. Não sabe nem se limpar sozinho, tem que a mãe limpar ele quando faz suas necessidades”. Passam 30 dias e falam: “Nasceu, mas nem fala ainda, não anda, não joga bola, não fala papai e mamãe”… E quem não conseguiu, de forma saudável, em um parto normal, parir esse gasoduto, está do lado de fora morrendo de inveja e querendo fazer todas as críticas possíveis e impossíveis.”

Fala chique para Caetano

Lula aproveitou o clima da passagem pela desmatada Manaus, vítima da degradação ambiental praticada desde o século XIX, para exercitar o francês.

E provocar brotoejas no filho de dona Canô, Caetano, o desafinado que ao elogiar Marina Silva chamou Lula de analfabeto. 

Lula e Sarkozy. Sorrindo para o efeito estufa em Manaus. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Lula e Sarkozy. Sorrindo para o efeito estufa em Manaus. Foto: Ricardo Stuckert/PR

 “O companheiro José Sérgio falou an passant – an passant é meio chique – falou rapidinho que não deu… É porque eu vou receber o Sarkozy aí, então eu estou metido a falar “an passant”. Eu vou receber o presidente da França agora. E, também, eu espero que o Caetano esteja ouvindo eu falar aqui, para ele ver eu falar “an passant”.”

Marlon Herath Política ,

I pensieri di Lula

11, novembro, 2009

 

Tavolo stupendo. Foto Ricardo Stuckert/PR

Tavolo stupendo. Foto Ricardo Stuckert/PR

Fórum de Negócios Brasil-Itália na sede da Fiesp, terça, 10.

Mantega gabava-se do sugo da economia brasileira, Serra ia da tarantela aos apeninos gentis.

E Lula apresentava aos italianos, uma sonata no seu dialeto português.

Le nostre case
“Eu queria dizer ao Paulo [da Fiesp] que é importante ele parar de me convidar para vir aqui porque daqui a pouco eu estou vindo mais na Fiesp do que na sede da CUT, e isso pode me causar “complicômetro”, e toca que o Serra vai querer visitar a CUT mais do que eu.”

Ministro-camelô
“Eu sempre tive, na minha cabeça, a ideia de que os ministros da área econômica e ministros da indústria e comércio deveriam ser verdadeiros camelôs, ou seja, mascates, que pudessem viajar pelo mundo vendendo aquilo que têm,…”

O que é isso, companheiro!
“Eu digo isso para deixar claro, e não tenham dúvida: eu não acredito no Estado gestor, não acredito, porque na hora em que o Estado for gestor, o governador, o presidente, o prefeito têm que contratar tanto amigo para trabalhar, mesmo que seja um incompetente, que depois é difícil mandar embora, ou seja, atrofia a máquina. O Estado tem que ser apenas o indutor e o regulador, para não permitir que haja nenhum segmento esquecido de participar do desenvolvimento.”

Sem sola hoje. Respeitemos a bota
“…o Serra discordou 5% do Guido, ele pode querer discordar um pouco mais de mim, ou 6%, aí nós vamos criar uma inimizade à toa. Então, não vou falar de macroeconomia, para ele concordar 100% comigo, aqui, quando eu terminar de falar.”

Grazie, Galileu Galilei
“E nós sabemos que a mudança do clima é um tema que interessa ao mais pobre do Planeta e ao Bill Gates, ao mais rico. Porque essa é a desgraça de o mundo ser redondo: ele vai girando, vai girando, e não tem como o Bill Gates se esconder, não tem como o mais pobre se esconder.”

De Cesar a Berlusconi
“O mundo não acolhe quem sonha pequeno. Eu estava vendo a história dos imperadores romanos, domingo. Eu acho que eu vi a história de uns dez imperadores, me preparando para essa reunião, só imperador. E tem imperador que destruiu a Itália, tem imperador que construiu império, tem imperador que destruiu Roma, ou seja, nós vamos ser os imperadores, sabe, da mais exitosa relação entre dois países, gente!”

Marlon Herath Política ,

“Eu errei”, diz Mercadante, o imprescindível

24, agosto, 2009

20 de agosto, quinta-feira, um dia depois do Conselho de Ética livrar José Sarney

mercadante-saida-da-lideranca-twitter

Veio a noite, Aluizio Mercadante foi apagar as mágoas com o presidente Lula. Cinco horas a fio no Alvorada adormecido.

Ricardo Berzoini, o emissário do voto a cabresto, teve paz na guerra de comando.

No dia seguinte, ressaca e decisão revogada

mercadante-nao-saida-da-lideranca-twitter

….

Mercadante, o imprescindível, fritou, foi fritado e pulou da chapa quente.

Defensor da investigação de Sarney, o líder da bancada petista poderia ter substituído Delcídio Amaral e Ideli Salvatti, ambos pré-candidatos aos governos estaduais de Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, no Conselho de Ética.

Suplicy teria votado na linha defendida por Mercadante.

Delcídio, por exemplo, mal balbuciava o voto favorável a Sarney. Criticou Mercadante.

O blefe de Mercadante prejudicou a bancada.

Mas Mercadante revigorou o apoio de Lula e não tem que responder pelo apoio do PT a Sarney.

Ficou na espreita vendo seus pares na fogueira.

Nesta segunda, foi para o Twitter tentar a paz interior.

“Eu errei ao dizer que anunciaria uma renúncia irrevogável”, arrebatou o líder da bancada petista antes e depois do fiasco no Conselho de Ética.

Em 2010, tenta a reeleição ao Senado.

mercadante-twitter-na-segunda-feira

Marlon Herath Política , , ,

Lula nas alturas, Congresso na fogueira

18, agosto, 2009
Fonte: Datafolha

Fonte: Datafolha

Lula defende Sarney, posa com Collor e Renan, enxota a bancada petista no Senado e a avaliação segue nas alturas.

Quem se importa com quem o presidente abraça ou joga na sarjeta?

Reuniu-se com a tropa de choque e o próprio Sarney por várias vezes durante a crise do Senado. Orientou, mandou, motivou brigas e depois criticou o Senado pelos bate-bocas! 

Até o calendário do futebol ele quer mudar!

Lula opina sobre tudo e essa é uma virtude da exposição positiva do presidente.

De acordo com o Datafolha, a aprovação ao governo do presidente oscilou dois pontos para baixo, mas continua em patamar recorde.

Caiu de 69% para 67%, o percentual de ótimo ou bom.

O inferno é o limite

Fonte: Datafolha

Fonte: Datafolha

Já deputados e senadores obtiveram desempenho negativo na pesquisa. Obviedade. 

A atual composição do Congresso Nacional, eleita em 2006, foi avaliada como ruim ou péssimo por 44% dos entrevistados do Datafolha.

A crise atual do Senado e as denúncias contra Sarney dão resultado semelhante a novembro de 2007, quando Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente licenciado do Senado, era o foco das denúncias.  Naquele mês, 45% dos entrevistados consideraram o Congresso ruim ou péssimo.

Homens reprovam mais os parlamentares que as mulheres, 51%, contra 38% das mulheres. Os mais escolarizados também, 59% ante 37% dos que fizeram o ensino fundamental.

Pesquisa

 

A pesquisa realizada entre os dias 11 e 13 de agosto ouviu 4.100 pessoas. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Marlon Herath Política , , , ,

O fiel da balança para a permanência de Sarney

1, julho, 2009

Comentário Rádios Santamariense (RS) e Sobradinho (RS)

Três partidos pedem o afastamento de José Sarney da presidência do Senado. DEM, PSDB e PDT.

PMDB e PTB mantiveram o apoio e o PT empurrou a decisão para esta quarta-feira.

A possibilidade de licença de Sarney para se investigar as denúncias de irregularidades no Senado tira o sono de muita gente.

Indicações de aspones podem ser anuladas com a devassa nos atos secretos.

Ministério Público Federal, Tribunal de Contas da União e Polícia Federal também podem confirmar quais senadores deram guarida aos ex-diretores Agaciel Maia e João Carlos Zoghbi.

E uma auditoria nos contratos de serviços, pessoal e compra de equipamentos pode materializar as suspeitas de mau uso do dinheiro público.

Sarney mantém o apoio de Lula, o que tenciona o PT a não radicalizar.

Pelo contrário, desde o início da crise, senadores petistas são meros assistentes. Preferem fazer propostas a Sarney como o senador Suplicy ou até agir em defesa como a líder do governo no Congresso, Ideli Salvatti. A senadora saiu em defesa de Sarney exclamando contra a “tendência de se personalizar ou partidarizar” a crise. A senadora segue a orientação do presidente Lula, este o principal apoiador e fiel da balança para a permanência de Sarney na presidência do Senado.

O PT terá encontro com Sarney hoje, mas quem decide é Lula.

É bom lembrar que Sarney entrou na disputa pela presidência do Senado depois de uma reunião no Palácio do Planalto.

É este PMDB ambíguo, dividido, oportunista, que Lula quer seguir de mãos dadas pensando nas eleições de 2010.

Marlon Herath Política , , ,

A caixa preta do Senado

24, junho, 2009

Comentário Rádios Santamariense (RS) e Sobradinho (RS)

A caixa preta dos atos secretos do Senado finalmente começou a ser aberta. Não foram publicadas 663 decisões nos Boletins Administrativos do Pessoal no período de 1996 a 2009.

A comissão que examinou concluiu que há indícios de “deliberada falta de publicidade”.

A maioria dos atos trata de nomeações e exonerações, aumento de salários e gratificações e pagamento de benefícios como auxílio-alimentação e auxílio-creche.

Em 22 de junho de 2005, na presidência de Renan Calheiros, um ato secreto aumentou a verba indenizatória dos senadores para R$ 15 mil. Só foi publicado em 21 de maio passado.

Há também vários atos de nomeação e transferência de familiares do ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi. Nomeações feitas pelo ex-diretor-geral, Agaciel Maia, em 2004, quando Sarney era o presidente do Senado pela segunda vez.

Os dois diretores que assumiram os cargos de Agaciel e Zoghbi foram demitidos.

Mas apenas um ato foi anulado, o que concedia assistência médica vitalícia aos ocupantes dos cargos de diretor-geral e de secretário-geral da Mesa.

Uma comissão de sindicância tem 30 dias para investigar os atos secretos e apurar as responsabilidades.

Até agora, apenas servidores estão sendo fritados. Sarney voltou a ser criticado no plenário por um pequeno grupo de senadores que defende seu afastamento, entre eles, Pedro Simon (PMDB-RS) e Arthur Virgílio (PSDB-AM). Com exceção do PSOL que pede a abertura de uma CPI, nenhum outro partido tem posição sobre o futuro do presidente do Senado.

Praticamente todas as siglas ocuparam espaço na mesa diretora no período sobre suspeição e a maioria teme ter a cabeça cortada com o que está sendo descoberto.

E para o governo, não há interesse em atingir Sarney, pelo contrário, candidato de Lula, o presidente já o defendeu com unhas e dentes. Lula, muito mais que o PT, quer o apoio do PDMB para a sucessão presidencial. Estar ao lado de Sarney não é uma questão de honra, é um dever de ofício para conquistar a aliança.

Atos secretos

Acesse o relatório final da comissão que examinou os atos.

Marlon Herath Política , ,

A língua de Lula

22, junho, 2009

Trechos do palavreado de Lula na semana passada.

Os senhores da crise financeira

15 de junho, Genebra-Suíça

Os responsáveis pela crise são os mesmos que durante séculos sabiam como ensinar a administrar os Estados. Sabiam ter ingerência nos Estados pobres da América Latina e da África. E esses mesmos senhores, que sabiam de tudo há algum tempo, hoje não sabem mais nada. Não conseguem explicar como davam tantos palpites sobre as políticas dos países pobres e que não têm sequer uma palavra para analisar a crise dos países ricos.

Sarney não é uma pessoa comum

17 de junho, Astana-Cazaquistão

…eu penso que o Sarney tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum. É importante investigar para ver o que houve. O que ganharia o Senado em ter uma contratação secreta, se tem mais de cinco mil funcionários transitando naqueles corredores? Por que haveria de ter alguém secreto?

Quem desmata não é bandido

19 de junho, Alta Floresta (MT)

Ninguém pode ficar dizendo que ninguém [alguém] é bandido porque desmatou. Nós tivemos um processo de evolução, e nós, agora, precisamos remar ao contrário. Nós temos que dizer para as pessoas que se houve um momento em que a gente podia desmatar, agora desmatar joga contra a gente, vai nos prejudicar no futuro, porque empréstimo internacional não sai, porque quando o Blairo for exportar a soja dele, o comprador na Alemanha, o comprador vai dizer “Ah, é da região da Amazônia, que está destruindo?” “É”. “Então, não vamos comprar”.

Marlon Herath Política

A eficiência e a falta de controle nos gastos do governo Lula

15, junho, 2009

Comentário Rádios Santamariense (RS) e Sobradinho (RS)

O Tribunal de Contas da União aprovou com ressalvas na semana passada as contas do governo federal de 2008. O relatório vai agora para o Congresso onde deputados e senadores costumam demorar anos para analisar os dados do relatório.

O documento do TCU tem informações que dão a dimensão da política de Lula que, apesar do apoio maciço dos brasileiros, precisa controlar melhor os gastos que são, evidentemente, realizados com dinheiro público.

Apesar das ressalvas, relatório prévio foi aprovado pelo relator Augusto Nardes e pelo plenário do TCU

Apesar das ressalvas, relatório prévio foi aprovado pelo relator Augusto Nardes e pelo plenário do TCU

Assistência social

No ano passado, foram gastos R$ 28,8 bilhões com a assistência social, 17% a mais que em relação a 2007, e mais que o dobro gasto em 2004. Sinal que o país avança no enfrentamento à pobreza e à desigualdade social. O relatório aponta, por exemplo, que os programas de transferência de renda são eficientes, mas precisam de mais controle contra fraudes.

Educação

Na educação, apesar dos avanços, o nível de escolaridade dos 20% mais ricos medido em anos é quase o dobro dos 20% mais pobres. Inferior a países como Chile e Argentina.

Tributos

Nos impostos, as renúncias de receitas federais alcançaram cerca de R$ 125,6 bilhões no ano passado. A maioria em benefícios tributários, R$ 87 bilhões. R$ 15,8 bilhões de benefícios tributário-previdenciários e R$ 22,8 bilhões de benefícios financeiros. E o Sudeste recebeu a maior fatia das benesses, 39,72% do total das renúncias.

O impacto da renúncia atinge diretamente as contas dos estados e municípios. As medidas contra a crise financeira como a redução do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados refletem sobre os Fundos de Participação dos Estados e Municípios (FPE e FPM).

Em 2004, a renúncia correspondia a 17% da arrecadação de IR e IPI. Essa proporção subiu, em 2008, para 22%.
E se as isenções e reduções de tributos aumentaram em alguns setores, a carga tributária total cresceu mais que o PIB.

A carga tributária brasileira registrou crescimento nominal de 15,56%, em relação a 2007, enquanto no mesmo período o crescimento nominal do PIB foi de 12,93%.

As condições políticas do governo Lula para o crescimento econômico obtido nos últimos anos, elevando os níveis de emprego e renda, são acompanhadas do aumento da arrecadação. Apesar das renúncias fiscais, o peso dos impostos sobre a produção e o consumo cresceu mais que a economia.

Ressalvas

Acesse aqui a conclusão do relatório.

Marlon Herath Dinheiro público, Política ,

Aprovação de Lula volta a subir

2, junho, 2009

A avaliação positiva do governo Lula voltou a subir, chegando a 69,8% (ótimo e bom) contra 62,4% em março e 72,5% em janeiro, de acordo com a pesquisa CNT/Sensus.

Fonte: CNT/Sensus

Fonte: CNT/Sensus

Já a aprovação do desempenho pessoal de Lula situa-se em 81,5% e a desaprovação em 15,7%. Em março de 2009 a aprovação registrava 76,2% e a desaprovação 19,9%.

Pesquisa

A pesquisa feita entre 25 e 29 de maio ouviu duas mil pessoas em 136 municípios de 24 estados. A margem de erro é de 3%.

Acesse a íntegra aqui.

Marlon Herath Política ,

“Não tem sentido, depois de passar dois dias aqui discutindo, vocês me perguntarem qualquer coisa de política brasileira”

18, maio, 2009

Lula estava em Riade, na Arábia saudita, onde discursou na Câmara de Comércio, antecipou que não queria falar sobre questões do Brasil, possivelmente se precavendo de perguntas sobre a abertura da CPI para investigar a Petrobras, mas lá estavam os jornalistas e aí…

Acompanhe os instantes anteriores à entrevista e a trecho dela.

” Eu só gostaria de pedir mais uma vez o seguinte: não tem sentido, depois de passar dois dias aqui discutindo, vocês me perguntarem qualquer coisa de política brasileira, das coisas internas do Brasil. Porque eu acho que diminui, sabe, a viagem que não é fácil, de 17 horas de voo para chegar aqui. Eu acho que deve ter muitos assuntos sobre a Arábia, sobre a China, sobre a Turquia, e deixar as coisas do Brasil quando eu voltar para o Brasil.”, disse Lula pouco antes das perguntas.

Depois da primeira pergunta – sobre o encontro, a CPI entrou na roda.

Presidente… não quero que o senhor fique bravo comigo…

Lula: Eu não vou ficar bravo, eu posso responder ou não responder.

Presidente, a gente tem uma série, um pacote de perguntas sobre toda a viagem para a Arábia Saudita, mas tem uma pergunta específica em relação à política brasileira que a gente é obrigado a fazer ao senhor. Quando o senhor saiu de lá, a questão da CPI da Petrobras já tinha as assinaturas, havia possibilidade das assinaturas serem retiradas. Isso não aconteceu. Então eu pergunto para o senhor: qual o receio do governo em relação a CPI da Petrobras, Presidente?

Lula: Veja, do ponto de vista prático, nenhum. O comentário que eu tinha que fazer, eu fiz quando deixei o Brasil. Eu não vou ficar tocando no assunto que é específico do Senado. Ali, todas as pessoas têm idade suficiente para fazerem o que entenderem que seja melhor. Eu só acho que nós estamos vivendo um momento de ouro na área do petróleo, nós estamos para colocar em debate nacional o novo marco regulatório do petróleo. Nós estamos viajando o mundo em busca de recursos para que a Petrobras possa intensificar a exploração do Pré-Sal, e eu acho que você não pode transformar, sabe… uma questão política, eleitoral, possivelmente menor, envolvendo a empresa mais importante que o Brasil tem. Mas de qualquer forma, se as pessoas que assinaram não têm outra coisa para fazer só tem aquilo, que façam. Nós vamos continuar tocando o barco.

Presidente, eu tinha até outra pergunta sobre questão nacional, mas eu não vou esticá-la em função do pedido do senhor. Eu vou apenas complementar a pergunta dele com uma pergunta a mais. O senhor acha que ainda é possível não levar adiante esta CPI? O senhor acha que seria uma decisão correta do Congresso nesse momento?

Lula: Eu não discuto mais esse assunto. Eu não discuto por uma razão muito simples: eu até agora não sei o que está por detrás disto. Possivelmente, alguns que assinaram estavam querendo tirar das suas costas todo este debate que a imprensa está fazendo sobre o Senado, outros possivelmente estejam preocupados com o processo eleitoral de 2010, e eu sinceramente estou preocupado em governar o Brasil e vou me dedicar a isso e vou priorizar isso. Sinceramente é a única coisa que eu tenho a fazer. Ou seja, eu tenho dois anos de mandato, quero concluir meu mandato e deixar o Brasil numa condição muito mais favorável do que aquela que eu recebi, porque eu acho que o Brasil entrou numa rota extraordinária de credibilidade internacional, de perspectiva de crescimento nos investimentos públicos e a verdade é que eu não tenho tempo de parar para ficar discutindo coisa menor. Essa é a verdade: cada um faça o que quiser, eu vou governar o Brasil. Foi para isso que o povo me elegeu e é isso que eu vou fazer.

Áudio

Acompanhe a conversa aqui.

Marlon Herath Política , ,