O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) alerta para os riscos de ampliação das despesas com as câmaras municipais de acordo com a Proposta de Emenda Constitucional (PEC nº 47/2008). Relatada pelo senador Valter Pereira (PMDB-MS), altera o limite de gastos das câmaras. O parecer deve ser votado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado em duas semanas.
Conforme os valores da receita orçamentária de cada município, as cidades de grande porte que tenham receita superior a R$ 2,5 bilhões, o percentual a ser direcionado para a câmara municipal será de 2,5%. Para um município pequeno, cuja receita seja de até R$ 15 milhões, o percentual para a câmara será de 6,5%.
Distorções
Em 2008 a cidade de São Paulo teve receita de R$ 24,176 bilhões. A câmara municipal paulistana recebeu R$ 244 milhões, cerca de 1% da receita. Mas pela proposta de 2,5%, o impacto no repasse seria de quase 150%, chegaria a R$ 604,4 milhões.
A proposta também produz efeitos contrários, como é o caso da prefeitura do Recife (PE). Segundo Mercadante, o percentual correspondente à receita da capital pernambucana produziria uma queda de 40% no repasse para a câmara municipal.
Marlon Herath Dinheiro público, Política PEC dos Vereadores, Pec paralela dos vereadores
A emenda paralela à PEC dos Vereadores recebeu pedido de vista coletiva na CCJ do Senado após a leitura do voto do relatório de Valter Pereira (PMDB-MS) à Proposta de Emenda à Constituição 47/08.
Agora, o relator receberá sugestões e irá conversar com os senadores da CCJ até a votação da matéria, o que poderá acontecer em duas semanas.
Gastos
Os parlamentares que pediram vista da matéria manifestaram preocupação com um aumento de despesas, gerado pela PEC, conforme comentou o senador Aloizio Mercadante (PT-SP).
Lobão Filho (PMDB-MA) sugeriu que todo o material da PEC – texto original cujo signatário é o senador César Borges (PR-BA) e substitutivo – seja disponibilizado aos Tribunais de Contas dos estados e dos municípios que possuem esses órgãos, como é o caso do município de São Paulo. (Com informações da Ag. Senado)
Marlon Herath Dinheiro público, Política PEC dos Vereadores, Pec paralela dos vereadores
Nenhum movimento fará tanta pressão no Congresso esta semana como os suplentes de vereadores. E já faz vários meses que a categoria de aspirantes a representantes do povo é a mais vista pelos corredores e gabinetes. Mais de sete mil esperam a tramitação ser concluída na Câmara e no Senado para tomarem posse.
A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado deve votar na quarta (22), a partir de 10h, o substitutivo do senador Valter Pereira (PMDB-MS) que fixa um limite máximo para as despesas das câmaras municipais.
De acordo com o texto original, os limites de despesas das câmaras municipais passariam a variar entre 2% e 4,5% sobre as receitas municipais:
- 4,5% a municípios com receita de até R$ 30 milhões;
- 3,75% sobre orçamentos entre R$ 30 milhões e R$ 70 milhões;
- 3,5% a municípios com receitas entre R$ 70 milhões e R$ 120 milhões;
- 2,75% sobre orçamentos municipais entre R$ 120$ milhões e R$ 200 milhões.
- 2% a municípios com receita anual superior a R$ 200 milhões;
O relator do substitutivo considerou que a proposta “peca por incluir valores nominais no texto da Constituição e, também, por não ter calibrado adequadamente os limites, tornando-os excessivamente rígidos”. Como solução ele sugere, entre outras medidas, que a fixação de limites nominais seja definida por lei complementar e que a correção siga índices de inflação. O substitutivo propõe nove faixas:
- 6,5% para municípios com receita anual de até R$ 15 milhões;
- 6% para municípios com receita anual superior a R$ 15 milhões e de até R$ 20 milhões;
- 5,5% para municípios com receita anual superior R$ 20 milhões e de até R$ 30 milhões;
- 5% para municípios com receita anual superior a R$ 30 milhões e de até R$ 70 milhões;
- 4,5% para municípios com receita anual superior a R$ 70 milhões e de até R$ 200 milhões;
- 4% para municípios com receita anual superior a R$ 200 milhões e de até R$ 600 milhões;
- 3,5% para municípios com receita anual superior a R$ 600 milhões e de até R$ 1,2 bilhão;
- 3% para municípios com receita anual superior a R$ 1,2 bilhão e de até R$ 2,5 bilhões;
- 2,5% para municípios com receita anual superior a R$ 2,5 bilhões.
Clima
O senador Valter Pereira tentou incluir o item como extrapauta para votar na semana passada, o que provocou o primeiro desgaste de um tema que torce o nariz de muitos parlamentares.
- Há dúvidas jurídicas, legais e morais sobre a possibilidade de suplentes assumirem cadeiras às quais não foram eleitos de acordo com o número de vagas das eleições passadas;
- O substitutivo é complexo ao calcular os repasses de acordo com o cruzamento dos percentuais de nove faixas com a despesa efetiva das câmaras municipais em 2008;
- Em meio à queda da arrecadação e dos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), as prefeituras não podem sofrer qualquer risco de aumentar as despesas com o legislativo.
Marlon Herath Dinheiro público, Política PEC dos Vereadores, Pec paralela dos vereadores, Vereadores
O relator da PEC paralela dos vereadores, senador Valter Pereira (PMDB-MS) tentará na próxima quarta (22) aprovar na CCJ seu parecer que prevê entre outros ajustes aos gastos com as câmaras municipais:
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a) remetendo a fixação de limites nominais para a lei complementar, estabelecendo que tal lei não pode levar a uma despesa total das câmaras de vereadores maior do que a que foi efetivamente verificada no exercício de 2008;
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b) estipulando a correção dos limites nominais por índice de inflação;
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c) estabelecendo tais limites nominais em disposições transitórias da Constituição, que estarão em vigor enquanto a lei complementar não for publicada;
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d) melhor medindo as faixas de agrupamento dos municípios e os percentuais de receita fixados como limites.
Restará ainda um problema de transição do limite antigo para o limite novo. “Como haverá redução de repasse, é preciso criar mecanismo capaz de suavizar os impactos que a medida acarretará juntos às câmaras”, segundo o parecer.
Transitório e definitivo
A solução encontrada pelo relator foi criar dois parâmetros de limite: um transitório e outro definitivo.
O definitivo corresponde ao “Limite de Percentual da Receita” (LPR) onde o Município está enquadrado, cuja classificação está proposta em nove faixas de receita, com percentuais decrescentes, com teto de 6,5% e piso de 2,5%.
O parâmetro transitório resulta da média entre o “Índice da Despesa Realizada em 2008” (IDR), que é o valor gasto pela Casa Legislativa no ano passado, e o índice fixado pelo correspondente “Limite de Percentual da Receita” (LPR).
Nove faixas
Pelo parecer, o total da despesa do Poder Legislativo Municipal, incluídos os subsídios dos Vereadores e excluídos os gastos com inativos, teria os seguintes percentuais relativos ao somatório da receita tributária e das transferências constitucionais, efetivamente realizados no exercício anterior:
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a) 6,5% para Municípios com receita anual de até quinze milhões de reais;
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b) 6% para Municípios com receita anual superior a quinze milhões de reais e de até vinte milhões de reais;
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c) 5,5% para Municípios com receita anual superior vinte milhões de reais e de até trinta milhões de reais;
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d) 5% para Municípios com receita anual superior a trinta milhões de reais e de até setenta milhões de reais;
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e) 4,5% para Municípios com receita anual superior a setenta milhões de reais e de até duzentos milhões de reais;
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f) 4% para Municípios com receita anual superior a duzentos milhões de reais e de até seiscentos milhões de reais;
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g) 3,5% para Municípios com receita anual superior a seiscentos milhões de reais e de até um bilhão e duzentos mil reais;
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h) 3% para Municípios com receita anual superior a um bilhão e duzentos mil reais e de até dois bilhões e quinhentos mil reais;
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i) 2,5% para Municípios com receita anual superior a dois bilhões e quinhentos mil reais.
Íntegra da proposta
Confira aqui o parecer do senador Valter Pereira.
Marlon Herath Dinheiro público, Política PEC dos Vereadores, Pec paralela dos vereadores
Com 11 votos contrários e seis favoráveis, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) decidiu não incluir na pauta (como item extra), a PEC 47/08, conhecida como PEC paralela à proposta que aumenta o número de vereadores.
Ficou definido, no entanto, que a proposta será o primeiro item de discussão na reunião da comissão na próxima quarta-feira (22).
O relator é o senador Valter Pereira (PMDB-MS). A proposta deve modificar os repasses das prefeituras para as câmaras municipais.
O parecer leva em conta as dificuldades mundiais na economia e também da cobrança da sociedade para que haja mais austeridade dos órgãos públicos.
O senador Aloísio Mercadante (PT-SP) reclamou da inclusão da matéria sem prévio aviso. Para ele, não é possível tratar um tema desta natureza de maneira açodada. Ele disse que precisa conhecer o teor do texto de Valter Pereira, para poder votar. Também o senador Osmar Dias (PDT-PR) se recusou a votar a proposta hoje. (com informações da Ag. Senado)
Marlon Herath Política PEC dos Vereadores, Pec paralela dos vereadores
O relator da PEC 47/08 sobre a adequação dos gastos das câmaras municipais na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Valter Pereira (PMDB-MS), pediu a assessores na quarta-feira (8) a revisão e modificação de pontos do parecer ainda desconhecido.
A previsão era que o relatório fosse entregue ainda esta semana.
Os principais ajustes dizem respeito ao impacto financeiro que será provocado com as 24 faixas (de 9 a 55 vereadores) na proporção populacional dos municípios.
Percentuais
O que o senador está analisando é a parte do texto que foi excluída da PEC 20/2008 aprovada no Senado que aumentou o número de vagas, mas não mexeu nos gastos.
A PEC deverá alterar parte do artigo 29-A da Constituição. No texto suprimido da PEC no ano passado, o total da despesa do legislativo municipal, incluídos os subsídios dos vereadores e excluídos os gastos com inativos, não poderia ultrapassar os seguintes percentuais, relativos ao somatório da receita tributária e das transferências, efetivamente realizado no exercício anterior:
- 4,5% para municípios com receita anual de até R$ 30 milhões;
- 3,75% para municípios com receita anual superior a R$ 30 milhões e de até R$ 70 milhões;
- 3,5% para municípios com receita anual superior a R$ 70 milhões e de até R$ 120 milhões;
- 2,75% para municípios com receita anual superior a R$ 120 milhões e de até R$ 200 milhões;
- 2% para municípios com receita anual superior a R$ 200 milhões.
Acordo
Na CCJ da Câmara já foi aprovado o parecer para posse imediata de mais de sete mil suplentes. No entanto, um acordo entre as direções do Senado e da Câmara prevê que a proposta só será levada ao plenário da Câmara (onde precisará apenas de maioria simples para ser aprovada) depois que os senadores se manifestarem sobre os gastos.
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