
Liderando as pesquisas de intenção de voto para governador do Distrito Federal e em busca do quinto mandato, Joaquim Roriz (PSC) está em “viagem de peregrinação religiosa visitando cidades como Fátima, em Portugal, e Roma, na Itália”, desde sábado (23).
Joaquim Roriz foi condenado a pagar R$ 35 mil de indenização por danos morais ao senador e ex-governador, Cristovam Buarque (PDT).
A decisão foi do juiz da 18ª Vara Cível de Brasília e cabe recurso.
De acordo com a ação, em 14 de agosto de 2003, Joaquim Roriz, então governador, fez um discurso na chamada Invasão do Itapoã e diante de milhares de pessoas, acusou Cristovam de assassino e de não gostar de pobres. Cristovam, na época ministro da Educação, entendeu que o discurso teve grande repercussão na mídia e que o jornal circulou com a manchete “Roriz acusa Cristovam de matar 6″. Cristovam apresentou como prova o jornal e uma fita K-7 com a gravação do discurso. O pedido de indenização por danos morais era de R$ 50 mil.
No processo, Roriz argumentou que não proferiu as palavras ou frases mencionadas na ação e que não podia ser responsabilizado por notícias veiculadas em jornal. Alegou ainda que a fita era prova manifestamente ilícita. E sustentou que, se fossem superados os argumentos da contestação, o pedido ainda assim não mereceria procedência, pois os fatos ocorreram entre dois políticos adversários.
Em audiência de conciliação, não houve acordo entre as partes.
A perícia comprovou a autenticidade da gravação e fez a transcrição do discurso. Na ocasião, Roriz inaugurava uma obra pública e lembrou aos presentes sobre o confronto na Estrutural. Segundo a transcrição do discurso, Roriz disse: “o Governador é chefe da Polícia, e obrigou a Polícia a ir pra lá, e assassinou seis pessoas… seis pessoas foram assassinadas a mando do Governador anterior…”.
Na sentença, o juiz afirmou que os fatos atingiram a imagem do autor perante a população do Distrito Federal, causando-lhe prejuízos e ofendendo-lhe a dignidade. O magistrado não aceitou o argumento de que não poderia responder a ação porque os dois eram adversários políticos. Segundo o juiz, o réu “não estava acobertado por qualquer manto de imunidade (…) e não estava autorizado a emitir impropérios pessoais sem que fosse garantida ao ofendido a defesa de seu direito constitucionalmente protegido, qual seja indenização por danos morais.
O magistrado afirmou ainda que é até “compreensível”, na política, dizer que o oponente ‘não gosta de pobre’ e ’só atende o pedido dos ricos’. “Entretanto, tudo tem limite, ao pronunciar em discurso que teve grande repercussão que o autor teve participação ou mandou assassinar seis pessoas no bairro Estrutural, sai do que é ‘normal’ e adentra a esfera do ato ilícito”, concluiu.
Joaquim Roriz renunciou ao mandato de senador em 2007 para evitar o processo de cassação. Roriz foi acusado de quebra de decoro depois da divulgação de gravações de conversas telefônicas da Operação Aquarela do Polícia Civil do DF em que supostamente negociara a partilha de R$ 2,2 milhões com o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Tarcísio Franklin de Moura. O rateio do dinheiro seria feita no escritório do empresário Nenê Constantino, da Gol.
Massacre da Estrutural
No governo de Cristovam, uma ação de PMs em 9 de agosto de 1998 batizada de Operação Tornado matou dois moradores da Estrutural.
A morte de um soldado numa perseguição dois dias antes na invasão teria motivado a vingança.
A Estrutural era um reduto de Roriz que, com discurso populista, estimulou a vinda de migrantes para áreas públicas no início da década de 90.
Os crimes foram utilizados por Roriz, então candidato, para superar Cristovam naquela campanha.
Marlon Herath Justiça, Política Cristovam, Eleições, Roriz
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